Capacitação em cooperativismo leva produtores acreanos ao RS

[news_posted_on] February, 14 2012

Em intercâmbio coordenado pelo WWF-Brasil, integrantes da Cooperfloresta visitam cooperativas dos setores de lácteos, suínos e vinhos nos municípios de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, região da Serra Gaúcha
Bruno Taitson, de Bento Gonçalves (RS)

Um grupo de oito representantes da Cooperativa dos Produtores Florestais Comunitários do Acre (Cooperfloresta) viveu uma experiência marcante entre os dias 6 e 10 de fevereiro. Eles atravessaram o país, percorrendo mais de 4 mil quilômetros, para conhecer a realidade das cooperativas, indústrias de móveis e estabelecimentos agrícolas dos municípios de Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, no Rio Grande do Sul.

O intercâmbio, organizado pelo WWF-Brasil com apoio da Cooperação Alemã (GIZ), teve como objetivo ampliar vivências e conhecimentos de integrantes da Cooperfloresta, que se dedica à produção de madeira certificada pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC). A cooperativa acreana foi a primeira no país a obter a certificação FSC de florestas manejadas por comunidades – a modalidade mais comum é a certificação empresarial.

De acordo com Ricardo Russo, analista de conservação do WWF-Brasil, a iniciativa contribui para qualificar os gestores e produtores vinculados à Cooperfloresta, apoiada pelo WWF-Brasil desde sua criação, em 2005. “Decidimos oferecer a esse grupo um contato próximo com experiências de sucesso, superação de crises e gestão participativa em cooperativas que têm 80, 100 anos de história”, afirmou.

Segundo Arlete Ferreira da Silva, associada da Cooperfloresta que vive na Reserva Extrativista Chico Mendes, os aprendizados durante o intercâmbio serão importantes para o futuro da cooperativa. “A empresas e cooperativas do Sul são muito bem organizadas, nunca vou esquecer esta experiência. Temos que tentar levar para lá todo esse conhecimento adquirido”, afirmou ela, que pela primeira vez fez uma viagem para fora do Acre.

Para Dionísio Barbosa de Aquino, presidente da Cooperfloresta, as expectativas em relação ao intercâmbio foram superadas. “Conseguimos conhecer exemplos de sucesso na agricultura familiar, cooperativas grandes e pequenas e empresas familiares. Aprendemos como investir na terra, mesmo nas propriedades pequenas, fazendo delas um verdadeiro empreendimento”, avaliou.

De acordo com Imério Corbelini, consultor do Centro Tecnológico do Mobiliário (Cetemo) do Senai-RS, que coordenou a agenda do intercâmbio, a Cooperfloresta precisa ir além da venda da madeira em toras ou serrada. “Para a Cooperfloresta ser auto-sustentável necessita ter uma atividade industrial, transformando a rica matéria-prima que possui em produtos de média e alta decoração. A Cooperfloresta, com a madeira certificada, está sentada em uma mina de ganhar dinheiro”, afirmou.

No primeiro dia da viagem (06/02) o grupo esteve na Villaggio Larentis, uma vinícola familiar que deixou de vender a uva diretamente para a indústria, passando a atuar em todos os elos da cadeia produtiva. A empresa produz, engarrafa e comercializa o vinho para visitantes, mercado local e também pela internet, aumentando de forma significativa o faturamento. “Vimos que é possível transportar esta realidade de agregação de valor para a cadeia produtiva da madeira certificada no Acre”, analisou Ricardo Russo.

No segundo dia foram feitas visitas a duas das maiores cooperativas da região: Vinícola Aurora, que acaba de completar 81 anos, e Santa Clara, com 100 anos de atuação nas áreas de laticínios e suínos. Além disso, a delegação acreana esteve com produtores associados à Santa Clara, conhecendo propriedades rurais assistidas pela equipe técnica da cooperativa, que adquire 100% do que é produzido pelos associados.

Para Mauro Benedetti, produtor de suínos e lácteos, a adesão à Santa Clara representou melhoria na renda e na qualidade de vida. “Antes fornecia para uma empresa que não estava pagando direito e nem entregando a ração. Com a Santa Clara mudou tudo. A assistência não tem comparação, não deixam faltar nada, e o pagamento é nota 10”, relatou.

Também foram realizadas, nos outros dias do intercâmbio, visitas a duas fábricas de móveis com estrutura familiar, o que abriu possibilidades de novos negócios para a comercialização da madeira certificada da Cooperfloresta. Outras vinícolas tradicionais, como Miolo e Salton, também fizeram parte da agenda da delegação acreana.
Visita dos extrativistas acreanos a vinícola de Bento Gonçalves
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Associados da Cooperfloresta conheceram a indústria moveleira de Bento Gonçalves, referência mundial no segmento
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Dona Arlete, em sua primeira viagem fora do Acre: "A empresas e cooperativas do Sul são muito bem organizadas"
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Para Ricardo Russo (C), do WWF-Brasil, o intercâmbio deu aos associados da Cooperacre a oportunidade de entrar em contato com uma nova realidade
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
DOE AGORA
DOE AGORA