Marcha abre atividades do Fórum Social

[news_posted_on] January, 24 2012

Milhares de pessoas caminharam pelas ruas de Porto Alegre pedindo uma postura diferente de governos, corporações e sociedade diante da atual conjuntura. Mudanças no Código Florestal fizeram parte da agenda de várias organizações presentes
Bruno Taitson, de Porto Alegre (RS)

Sob um calor de 35 graus, milhares de pessoas percorreram o centro da capital gaúcha na marcha de abertura do Fórum Social Mundial na tarde desta terça-feira (24/01). O evento acontece de 24 a 29 de janeiro, nas cidades de Porto Alegre, Canoas, Novo Hamburgo e São Leopoldo. Este ano, por abordar especificamente os temas crise capitalista, justiça social e ambiental, o Fórum recebe a denominação de Social Temático (FST).

A concentração dos participantes, vindos de todas as regiões do Brasil e de diversos países, começou no largo Glênio Peres, com presença de estudantes, sindicalistas, ambientalistas, professores, trabalhadores e integrantes de diversas organizações da sociedade civil. Entre as pautas, a necessidade de mais investimento nas áreas de saúde e educação, direitos de grupos minoritários e marginalizados e questões ambientais, como as tentativas de mudanças no Código Florestal.

O WWF-Brasil participou da marcha, exigindo dos deputados e da presidente Dilma Rousseff uma postura diferente da que vem sendo adotada até o momento, privilegiando claramente os interesses do grande agronegócio em detrimento das florestas e da sociedade brasileira. O texto, aprovado no Senado em dezembro de 2011, volta para a Câmara, onde deve ser votado ainda neste semestre.

Repleto de retrocessos, como anistia a crimes ambientais e consolidação de atividades predatórias em áreas de reserva legal e de preservação permanente, o projeto, se aprovado como está pelos deputados, será encaminhado à presidente Dilma Rousseff. Em um prazo de até 30 dias, Dilma poderá vetar ou sancionar o substitutivo. Em sua campanha eleitoral, em 2010, a atual presidente assumiu o compromisso de vetar quaisquer dispositivos que criem anistia a desmatamentos ilegais e que possam estimular novos desmates.

Segundo Érico Teixeira, responsável pelas atividades de engajamento do WWF-Brasil no evento, embora tenham uma diversidade de agendas, os participantes do Fórum têm em comum a indignação diante de situações de injustiça, em que os interesses de uma minoria são impostos à maior parte da população. “No caso do Código Florestal, isso é nitidamente o que acontece. Embora 80% dos brasileiros tenham se mostrado, em pesquisa da Datafolha, contrários às mudanças, tanto a Câmara como o Senado, com aval do Governo Federal, têm atuado em direção contrária”, exemplifica.

De acordo com Érico Teixeira, a grande quantidade de pessoas e organizações que participaram da marcha de abertura do Fórum demonstra claramente que a sociedade brasileira clama por novos rumos nos processos de tomada de decisão. “Esperamos que os parlamentares e o governo se sensibilizem diante dessa manifestação popular e mudem os rumos das discussões sobre o Código Florestal”, conclui.

O Fórum Social Temático também aborda temas relevantes para a agenda internacional, como as manifestações de insatisfação popular com sistemas políticos excludentes, ocorridas em diversos países, como Espanha, França, Estados Unidos, Egito, Líbia, Síria, Chile e outros.

Debate

Nesta quinta-feira, 26 de janeiro, o WWF-Brasil participa de um debate sobre as mudanças propostas ao Código Florestal, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, a partir das 9 da manhã. Estarão presentes a ex-senadora Marina Silva, o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, o diretor da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário, o diretor de movimentos sociais da União Nacional dos Estudantes (UNE), Rodolfo Mohr, a secretária-geral do WWF-Brasil, Maria Cecília Wey de Brito e os deputados federais Ivan Valente (Psol-SP) e Paulo Teixeira (PT-SP), além de representantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A presidente Dilma Rousseff também foi convidada, mas sua assessoria ainda não confirmou a presença.
Uma verdadeira multidão tomou as ruas de Porto Alegre
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Ativista protesta contra a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Público assistiu ao enterro simbólico das florestas brasileiras, devido à destruição da legislação ambiental no Congresso
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Manifestantes recordaram as promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
Participantes da marcha protestaram em defesa das florestas
© WWF-Brasil/Bruno Taitson
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