COP30: Eliminação gradual dos combustíveis fósseis é fundamental para a redução das emissões
[news_posted_on] November, 14 2025
Dois eventos realizados no Pavilhão WWF trataram do assunto, que incluiu temas como o compromisso de cada país na redução e como financiar a transição energética
Por Débora Rubin, especial para o WWF-Brasil
O WWF-Brasil realizou, na quarta-feira (12), dois painéis sobre a eliminação gradual dos combustíveis fósseis no Pavilhão WWF, na Zona Azul da COP30, em Belém. No primeiro deles, Tatiana Oliveira, líder de Estratégia Internacional da organização, deu o tom para a série de debates sobre o tema que ocorreriam ao longo do dia: a necessidade de ações robustas e coletivas voltadas a uma transição energética justa e equitativa.
Com base na política de Óleo & Gás da Rede WWF, assim como nas diretrizes globais para a integração da eliminação gradual dos combustíveis fósseis nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), os eventos destacaram os imperativos políticos e científicos que devem impulsionar a transição para sistemas de energia renováveis, positivos para a natureza e inclusivos.
A mensagem-chave foi que a eliminação gradual dos combustíveis fósseis não é um tema abstrato de negociação, mas um pilar para o alcance da meta de 1,5°C, a proteção da biodiversidade e a equidade social. As pessoas debatedoras ressaltaram a contradição do governo brasileiro entre apoiar essa meta e, ao mesmo tempo, anunciar a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.
A COP30 acontece no mesmo ano em que a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo histórico, afirmando que os países têm a obrigação legal de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis para evitar danos climáticos. Já a União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) adotou a Moção 042, que nomeia explicitamente a produção de combustíveis fósseis como uma ameaça à natureza e apela para uma eliminação global por meio de uma transição justa.
Além de Tatiana Oliveira, participaram do debate Fentje Jacobsen, do WWF-Alemanha, como moderadora; Harjeet Singh, diretor de Parcerias Globais da Iniciativa do Tratado de Não Proliferação de Combustíveis Fósseis; Eve Karoubi, líder de política internacional da Rede Global de Gás e Petróleo (GGON na sigla em inglês), Mariana Lyrio, Assessora de Políticas Públicas do Observatório do Clima, e Manuel Pulgar-Vidal, líder global de Clima e Energia do WWF e Presidente da COP20.
Quem financia a transição?
No segundo painel promovido pelo WWF-Brasil, “Financiamento da Transição Energética – Caminhos para o Financiamento Climático Além do Petróleo”, o debate se deu em torno das iniciativas que podem mobilizar recursos para impulsionar uma transição energética justa, inclusiva e alinhada aos compromissos climáticos globais.
Foi destacado, por exemplo, que os instrumentos financeiros das NDCs do Brasil (Fundo Clima, Títulos Soberanos Sustentáveis, Eco Invest Brasil, Taxonomia Sustentável, Reforma Tributária, Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões) podem operacionalizar a eliminação gradual dos combustíveis fósseis, ao mesmo tempo em que apoiam a transformação para energias renováveis.
Paralelamente, também se buscou identificar os caminhos fiscais e financeiros que permitam replicar as experiências do Brasil e da Noruega na mobilização de capital público e privado para uma transição justa. Entre os pontos destacados estão a necessidade de cooperação entre diferentes esferas, como os ministérios da Fazenda, de Energia e bancos de desenvolvimento, na implementação de estruturas integradas de financiamento climático, alinhadas às metas das NDCs.
Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, apresentou em primeira mão a prévia de um estudo de avaliação socioeconômica de custo-benefício da exploração na Foz do Amazonas e como o projeto se compara a investimentos de valores equivalentes para biocombustíveis e para eletrificação. “Em ambos os casos, geram benefícios socioeconômicos muito mais favoráveis do que o projeto da Foz do Amazonas”, ressaltou Fujii.
Além dele, participaram do debate Shirley Matheson, do WWF-Internacional; Sávia Gavazza, do Ministério da Fazenda; William Wills, do Centro Brasil no Clima (CBC), Alessandra Cardoso, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e Matilde Angeltveit, da Norwegian Church Aid.
COMO O WWF-BRASIL ATUA
O WWF-Brasil tem o compromisso de contribuir para a construção de um futuro sustentável, em que o país avance rumo à neutralidade de emissões, com sua biodiversidade conservada e impulsionado por um modelo de desenvolvimento justo, inclusivo e responsável. Nossa estratégia está estruturada em quatro pilares:
- Zerar o desmatamento e fomentar Soluções Baseadas na Natureza.
- Fortalecer a conservação da biodiversidade.
- Proteger direitos e promover o bem-estar de povos e comunidades tradicionais.
- Promover um desenvolvimento de baixo impacto.
NOSSAS AÇÕES NA AGENDA DE TRANSIÇÃO ENERGÉTICA
Desde 2017, o WWF-Brasil tem atuado de forma decisiva na agenda de Transição Energética, com o objetivo de acelerar uma mudança justa e equitativa para além dos combustíveis fósseis, promovendo a expansão das energias renováveis, da eficiência energética e do acesso universal à energia limpa.
Por meio de incidência política e articulação com diversos setores da sociedade, trabalhamos para impedir a exploração de petróleo na Foz do Amazonas e produzimos estudos científicos sobre viabilidade de fontes renováveis e cenários para a matriz energética brasileira, que demonstram como a opção por energias renováveis traz benefícios econômicos, sociais e ambientais mais amplos do que a dependência do petróleo.
Além da atuação em políticas públicas, desenvolvemos projetos voltados ao acesso à energia em comunidades isoladas, incentivando o uso de fontes renováveis adequadas às realidades locais, notadamente para populações indígenas e comunidades tradicionais.
Ricardo Fujii, especialista em Conservação do WWF-Brasil, apresentou em primeira mão a prévia de um estudo de avaliação socioeconômica de custo-benefício da exploração na Foz do Amazonas e como o projeto se compara a investimentos de valores equivalentes para biocombustíveis e para eletrificação
© Jacqueline Lisboa / WWF-Brasil