novembro, 27 2025
Por Maria Fernanda Maia, do WWF-Brasil
A nova publicação Semeando Agroflorestas no Rio Doce, realizada pelo WWF-Brasil em parceria com o Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal – Agrossilvicultura Mundial - ICRAF (atual CIFOR), reúne aprendizados, histórias e reflexões sobre sistemas agroflorestais (SAFs) na Bacia do Rio Doce e no Espírito Santo, consolidando um amplo esforço coletivo de sistematização de experiências práticas de campo. Com linguagem acessível e foco didático, o material oferece ao público uma visão integrada sobre como restaurar e produzir podem caminhar juntos, inspirando agricultores, técnicos, estudantes e gestores interessados em soluções sustentáveis de uso da terra.
A obra resgata e atualiza conteúdos gerados a partir do concurso “Ideias renovadoras: plantando árvores e colhendo alimentos na bacia do Rio Doce”, realizado na primeira fase da parceria entre WWF-Brasil e Fundação Renova. O concurso premiou cinco iniciativas agroflorestais no país — três delas na Bacia do Rio Doce — e mobilizou organizações públicas, privadas e da sociedade civil em processos colaborativos que resultaram na construção de sete arranjos de SAF específicos para o território, ainda em 2020, com participação do ICRAF/CIFOR.
Quatro anos depois, o WWF-Brasil e o ICRAF retomaram esse percurso, envolvendo antigos participantes do concurso em um novo ciclo de diálogo, troca e produção coletiva. Duas reuniões on-line, uma jornada de visitas de campo e um encontro presencial no Instituto Terra, em outubro de 2024, resultaram na consolidação dos conteúdos que agora integram a publicação. O documento apresenta lições aprendidas, acertos, desafios e observações práticas compartilhadas por técnicos, produtores rurais, pesquisadores e organizações comprometidas com a restauração e a produção sustentável.
A elaboração do conteúdo foi conduzida pelo ICRAF, com apoio do Mutirão Agroflorestal, responsável pela coleta de informações e redação. A Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a OCA também contribuíram com revisão técnica e aconselhamento especializado. Embora o concurso e a ideia inicial tenham surgido no âmbito da parceria do WWF-Brasil com a Fundação Renova, a instituição não aparece na publicação devido à sua extinção durante a fase final de produção.
“Esse material reflete um processo de construção coletiva, que valoriza a troca entre diferentes saberes e o papel dos SAFs como estratégia de sustentabilidade, inclusão e resiliência no território da bacia do Rio Doce”, destaca Leda Tavares, especialista de conservação e líder da parceria com a Renova.
A publicação reforça a importância de documentar e compartilhar experiências que mostram o potencial dos sistemas agroflorestais em diferentes contextos produtivos do país e pode apoiar agricultores, extensionistas, estudantes e demais interessados em desenvolver ou aprimorar práticas agroflorestais no Brasil, especialmente na região do Rio Doce.
De acordo com Henrique Marques, Gerente de Pesquisa no Desenvolvimento, do ICRAF Brasil, a produção do livro é um marco para a agenda de Restauração Produtiva na Bacia do Rio Doce, um território profundamente degradado. “As agroflorestas oferecem uma resposta concreta ao integrar produção inclusiva, restauração com espécies nativas e geração de renda”, afirma.
A publicação surge, assim, como um convite aberto para participar do fazer agroflorestal e multiplicar soluções que regeneram a paisagem e apoiam quem vive dela. “Que cada leitor se encante com esse movimento e se sinta parte dessa jornada. Somente assim poderemos renovar as esperanças de um Rio Doce – o Rio Watu – recuperado, mais saudável e novamente fonte de vida para o território”, conclui Henrique.