Ponto de Virada da Amazônia: curta documental mostra caminhos para salvar o bioma

novembro, 21 2025

Lançado hoje, o filme reúne vozes da ciência indígena e acadêmica para reforçar a urgência de adotar soluções baseadas na natureza

Por Solange Azevedo, do WWF-Brasil 

O curta documental Ponto de Virada da Amazônia, lançado hoje pelo WWF-Brasil, mostra soluções baseadas na natureza capazes de assegurar a conservação e o futuro do bioma. Codirigido por Fer Ligabue, Jacqueline Lisboa e Solange Azevedo, o filme apresenta iniciativas do povo Paiter Suruí na Terra Indígena Sete de Setembro, em Rondônia. Essas práticas, que combinam saberes tradicionais com conhecimento científico, são consideradas essenciais para conter o desmatamento e aumentar a resiliência da floresta. 

“Os Suruí estão produzindo o quê? Café, cacau, banana... castanha, quando estava produzindo muito, chegou a aproximadamente 320, 330 toneladas. Café, através de três cooperativas, deve ter chegado a três, quatro toneladas”, salienta o cacique geral Almir Suruí. “Essas iniciativas de produzir com responsabilidade e de forma sustentável são um modelo que a gente está propondo para a Amazônia”. 

O curta documental também traz vozes como de Carlos Nobre, copresidente do Painel Científico para a Amazônia, e de Ivaneide Bandeira Cardozo, cofundadora da Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que reforçam a urgência de adotar soluções baseadas na natureza, evidenciando como comunidades indígenas e tradicionais gerenciam recursos de forma sustentável, conectando conhecimento ancestral à preservação da floresta. 

Por que a Amazônia é estratégica 

Com aproximadamente 6,74 milhões de km², a Amazônia se estende por oito países — Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Venezuela e Suriname — além do território da Guiana Francesa. Cerca de 60% do bioma está em território brasileiro. A região abriga mais de 10% da biodiversidade terrestre mundial; 10% de todas as espécies de peixes conhecidas; 47 milhões de pessoas, incluindo 2,2 milhões de indígenas e povos tradicionais; além de armazenar entre 250 e 300 bilhões de toneladas de carbono.  

A floresta amazônica desempenha funções climáticas vitais: regula o clima, cria chuvas por meio dos chamados rios voadores, influencia correntes oceânicas e mantém a estabilidade hídrica de toda a América do Sul. Mas o desmatamento e a degradação florestal vêm comprometendo essa resiliência, tornando o bioma mais vulnerável às mudanças climáticas. 

Economia sustentável e soluções baseadas na natureza 

O estudo Nova Economia da Amazônia, citado no curta, mostra que investir em bioeconomia e conservação pode gerar impactos positivos até 2050, incluindo: 

  • 833 mil novos empregos na bioeconomia. 
  • Mais de R$ 40 bilhões/ano no PIB da Amazônia Legal. 
  • Crescimento econômico, incluindo em setores como agropecuária e mineração. 
  • 94% menos emissões de gases de efeito estufa. 
  • Maior estoque de carbono e terras mais produtivas. 
  • Redução do risco hídrico e preservação da fertilidade do solo. 

Uma mensagem de esperança e ação 

Com Ponto de Virada da Amazônia, o WWF-Brasil reforça que ainda há caminhos para a recuperação do bioma, desde que políticas públicas, comunidades locais e sociedade civil atuem de forma integrada. O curta é um convite para que todos compreendam que a floresta em pé vale mais do que derrubada — economicamente, socialmente e ambientalmente. 

“A maior economia está na floresta em pé. A maior economia está na vida garantida. A maior economia é a economia de um futuro habitável também”, salienta Txai Suruí no filme. “E que dá para produzir, como eu falei. Mas também proteger.” 

Assista aqui ao curta documental e dissemine a mensagem sobre a importância de agir agora para que a Amazônia continue sendo um patrimônio natural, cultural e climático para o Brasil e o mundo. 

Com Ponto de Virada da Amazônia, o WWF-Brasil reforça que ainda há caminhos para a recuperação do bioma, desde que políticas públicas, comunidades locais e sociedade civil atuem de forma integrada.
© Jacqueline Lisboa / WWF-Brazil
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