novembro, 04 2025
Por WWF-Brasil
Dez anos após a aprovação do histórico Acordo de Paris sobre o clima na COP21, o WWF apela para que todos se unam na COP30 para evitar que a crise climática e da natureza fique fora de controle. Realizada no coração da Amazônia, a COP30 representa uma oportunidade única para apresentar um "pacote para a natureza" que a coloque como aliada no combate às mudanças climáticas, garantindo que sua proteção e a redução das emissões ocorram em paralelo.
Os dez últimos anos foram os mais quentes já registrados, com 2024 ultrapassando a média global de 1,5 °C. Em todo o mundo, ondas de calor escaldantes, incêndios florestais violentos, tempestades e inundações catastróficas têm devastado vidas, economias e ecossistemas. O mundo está cruzando seu primeiro ponto de não retorno, com o aumento da mortalidade dos recifes de corais por causa do aquecimento dos oceanos, e está perigosamente perto de outros, incluindo a degradação da floresta amazônica. A Conferência do Clima em Belém representa uma oportunidade vital para alcançarmos o limite de 1,5°C de aumento da temperatura global e para restaurar o ímpeto da ação climática global.
O progresso no cumprimento do Acordo de Paris tem sido muito lento e há grandes lacunas entre as promessas e os resultados. Na cúpula climática da COP30, governos nacionais e subnacionais, empresas e outros atores precisam se concentrar em fechar três lacunas na ação climática: a de mitigação, a de adaptação e a de financiamento.
Para preencher a lacuna na mitigação, os países devem apresentar planos climáticos ambiciosos que reduzam drasticamente as emissões globais de gases com efeito de estufa. Além disso, eles devem chegar a um acordo sobre um mapa do caminho para a transição dos combustíveis fósseis – carvão, petróleo e gás –, considerando marcos específicos, e comprometer-se a expandir as energias renováveis conforme acordado na COP28.
Para cumprir as metas de adaptação, os países devem adotar os indicadores necessários sobre o Objetivo Global de Adaptação, que servirão de base para o planejamento, o financiamento, a comunicação, a implementação e a avaliação das ações. Devem também chegar a um pacto sobre um novo compromisso para, pelo menos, triplicar o financiamento da adaptação, sobretudo nos países em desenvolvimento.
Para resolver o déficit financeiro, os países devem comprometer-se a aumentar significativamente o subsídio para a ação climática. Precisam cumprir a nova meta de financiamento climático cujo piso é de US$ 300 bilhões anuais até 2035, alocados para os países em desenvolvimento, com uma meta adicional de aumento em US$ 1,3 trilhão. Isto deve assumir a forma de um plano de ação com responsabilidades claras, indicadores de qualidade e metas anuais para aumentar o financiamento climático até 2035. Os países também devem aumentar suas contribuições para o Fundo de Perdas e Danos.
Um avanço no financiamento da natureza e do clima está a caminho com o lançamento do Fundo Floresta Tropical para Sempre (TFFF). O TFFF visa fornecer uma fonte de financiamento de longo prazo para países que mantenham suas florestas tropicais nativas conservadas, com caminhos para que povos indígenas e comunidades locais tenham acesso direto e recebam pelo menos 20% dos pagamentos. O WWF recomenda que os países e as instituições financeiras mobilizem capital em escala para acompanhar os investimentos iniciais do Brasil e da Indonésia.
O WWF apoia os esforços da Presidência brasileira da COP30 para reestruturar a Agenda de Ação, o pilar da convenção climática que mobiliza ações voluntárias da sociedade civil, empresas, investidores, cidades, estados e países. Um novo plano quinquenal da Agenda de Ação, a ser acordado na COP30, pode focar no cumprimento do Acordo de Paris e ajudar a garantir que a economia e toda a sociedade possam levar adiante a ação climática.
A natureza absorveu cerca de metade de todas as emissões de CO2 causadas pelo homem, mas os ecossistemas estão sob grave ameaça das mudanças climáticas e da destruição. O WWF incentiva os países a apresentarem os próximos passos em relação ao compromisso assumido na COP28 de conservar, proteger e restaurar a natureza e os ecossistemas, com a eliminação e a reversão do desmatamento e da degradação florestal até 2030.
O WWF propõe que os países criem um programa de trabalho sobre clima e natureza para garantir o cumprimento desses compromissos e o alinhamento com o Quadro Global de Biodiversidade da ONU. As decisões tomadas na COP30 podem ajudar a traçar um caminho para manter o limite de longo prazo do Acordo de Paris e colocar a natureza no centro das ações climáticas, para o benefício do planeta e das pessoas.
Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, disse: “A COP30 deve ser lembrada como a COP da implementação, aquela que transformou compromissos em ação, consolidou novas formas de cooperação e promoveu mecanismos de financiamento inovadores, como o Fundo Floresta Tropical para Sempre. Enfrentar a crise climática não é tarefa apenas dos governos, mas um esforço coletivo que depende da mobilização de todos os setores para transformar compromissos em resultados tangíveis. Nesse sentido, a presidência da COP tem desempenhado um papel essencial ao criar mecanismos que fortalecem a participação da sociedade civil e incentivam a colaboração entre diferentes atores, promovendo um amplo movimento coletivo para a ação climática. Esse espírito de colaboração já começa a tomar forma no Brasil