Incêndios seguem em baixa e Amazônia tem menor área queimada desde 2018

outubro, 10 2025

Pantanal e Mata Atlântica seguem o mesmo caminho, mas Cerrado, Caatinga e Pampa apresentam aumento em relação a 2024

Por WWF-Brasil

Com condições climáticas menos severas, períodos de seca mais brandos e reforço nas medidas de prevenção, o Brasil manteve a tendência de queda no número de focos de incêndio. No total, de janeiro a setembro, foram 75.745 registros, menor número em 25 anos. Em relação à área queimada, até setembro, a Amazônia apresentou um dos cenários mais positivos entre todos os biomas e teve uma diminuição de 63% quando comparada com o mesmo período de 2024, com a menor área queimada desde 2018.

Divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), os dados representam um quadro favorável para a Amazônia e para o país. Até o final de setembro, foram 2.396 focos de incêndio em áreas de vegetação nativa — ou seja, áreas onde não houve desmatamento. Comparando com o ano anterior (23.865 focos), o bioma apresentou uma redução de 90% de fogo em vegetação nativa.

Também de janeiro a setembro, o Pantanal foi o segundo bioma com a maior diminuição nos focos de incêndio, com uma queda de 97%. A área queimada até setembro também diminuiu consideravelmente, de 21.564 km² para 1.587 km². A Mata Atlântica, da mesma maneira, teve uma diminuição de 31% na área queimada; em contrapartida, o Cerrado, a Caatinga e o Pampa tiveram um aumento.

Apesar de ainda estarmos na estação de seca, em especial na Amazônia, Cerrado e Pantanal, a quantidade de chuva até o momento tem sido maior em algumas regiões. O Índice de Precipitação Padronizada do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que compara a chuva observada com a média histórica da precipitação, evidencia a diferença expressiva entre o acumulado nos meses de junho, julho e agosto. Em comparação com 2025, o ano de 2024 teve mais regiões fora da normalidade e apresentou vários pontos de seca extrema.

Em relação aos estados, até setembro, Maranhão ocupa o primeiro lugar nos focos de incêndio com 10.582 registros, 14% dos focos do país. Em seguida, estão Mato Grosso, Tocantins, Bahia e Pará — juntos, os cinco estados foram responsáveis por 55% das ocorrências do país, de acordo com dados do Inpe. Em 2024, no topo do ranking estava Mato Grosso, com 45.851 focos de incêndio. 

Fundo Florestas Tropicais para Sempre 

O aumento da preservação da vegetação nativa da Amazônia é um bom sinal para o Brasil, que poderá se beneficiar do Tropical Forest Forever Facility (TFFF), ou Fundo Florestas Tropicais para Sempre. O TFFF é um mecanismo de financiamento para recompensar, via fundo de investimento global, países que preservem suas florestas tropicais e reduzem o desmatamento e a degradação pelos incêndios.

A iniciativa é uma maneira de incentivo por meio de financiamento para a ação climática. A verba captada vai ser repassada proporcionalmente aos países que possuem florestas tropicais, de acordo com a área preservada, viabilizando novas medidas de conservação. O lançamento do mecanismo está previsto para acontecer durante a COP30.

Quase metade da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, está em território brasileiro. Considerando o acumulado de janeiro a agosto, 2025 teve o menor número de área queimada no bioma dos últimos 7 anos.

Mauricio Voivodic, diretor executivo do WWF-Brasil, afirma que “a redução histórica das queimadas na Amazônia mostra que é possível conciliar proteção ambiental e desenvolvimento sustentável quando há compromisso e investimento. O Fundo Florestas Tropicais para Sempre surge justamente para consolidar esse caminho, transformando resultados pontuais em políticas duradouras de conservação. O aporte do Brasil ao TFFF é um exemplo e um chamamento para que outros países se unam a essa mobilização global de financiamento florestal em larga escala, essencial para o futuro do planeta”.

Voivodic ressalta que “a falta de recursos ainda é um dos principais obstáculos à preservação das florestas tropicais, que prestam serviços ecossistêmicos inestimáveis. Ao combinar retorno financeiro com benefícios concretos para países tropicais, povos indígenas e comunidades locais, o TFFF oferece uma resposta inovadora e justa à crise climática. Ele tem potencial para se tornar um dos grandes legados da COP30 e um marco na valorização da floresta em pé.”

Os dados divulgados pelo Inpe representam um quadro favorável para a Amazônia e para o país. Caso o cenário se mantenha, o Brasil poderá se beneficiar do TFFF
© Adriano Gambarini/WWF-Brasil
DOE AGORA
DOE AGORA