agosto, 21 2025
Por IBRAOP - Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas
O evento, promovido pelo Instituto Brasileiro de Auditoria de Obras Públicas (Ibraop) em parceria com o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), foi realizado de 18 a 22 de agosto de 2025, na sede da Corte Amazonense, em Manaus (AM). A programação reuniu debates sobre inovações na engenharia voltadas a obras públicas mais sustentáveis e resilientes, abordando também práticas para reduzir impactos ambientais, conservar recursos naturais e fortalecer a transparência e a eficiência na gestão.
Palestra do WWF-Brasil revela riscos econômicos, sociais e ambientais
A viabilidade financeira da exploração de petróleo na Foz do Amazonas depende de um futuro insustentável, porque os preços do petróleo necessários para tornar o projeto lucrativo são compatíveis apenas com cenários que não preveem uma transição energética significativa. Esse foi o resultado da Avaliação Custo-Benefício (ACB) feita pelo especialista em transição energética do WWF-Brasil, Ricardo Junqueira Fujii, apresentado em palestra ministrada durante o XXI SINAOP.
A apresentação integrou o quarto painel do evento - “Licenciamento Ambiental” – cujo debate foi moderado pelo diretor do Ibraop, o auditor de controle externo Aristóteles Sampaio Costa (TCE-RR).
Segundo Ricardo, para a exploração na Foz do Amazonas, foi estimado um ponto de equilíbrio (breakeven) de 39 dólares por barril. Ao analisar a viabilidade financeira em diferentes cenários futuros da Agência Internacional de Energia (IEA), observa-se três possíveis cenários.
O primeiro – Cenário STEPS (Stated Policies Scenario) – não prevê transição energética, o que elevaria a temperatura média global a níveis perigosos. Neste cenário, o preço projetado do barril é 66 dólares, indicando viabilidade financeira. O segundo – Cenário APS (Announced Pledges Scenario) – considera as promessas anunciadas de transição energética, resultando na diminuição da demanda por petróleo e gás. O barril custaria 47 dólares.
Já o terceiro – Cenário NZE (Net Zero Emissions by 2050) – alinha-se às metas de Paris de limitar o aumento da temperatura a 1,5°C, visando zero emissões líquidas até 2050. “Neste futuro, o preço do barril seria 37 dólares, ou sejam abaixo do ponto de equilíbrio, que são 39 dólares. Isso resulta em um VPL [Valor Presente Líquido] negativo de R$ 716 milhões, indicando inviabilidade financeira.
“A viabilidade do petróleo depende de um mundo inviável, onde as companhias lucram, mas a sociedade perde. Precisamos olhar além da riqueza gerada para a empresa. Temos que ver o reflexo disso para a sociedade”, concluiu o palestrante.
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