Agricultores trocam experiências sobre agroflorestas na Bacia do Rio Doce
novembro, 29 2024
Encontro reuniu mais de 100 pessoas que identificaram nos Sistemas Agroflorestais uma alternativa para superar a degradação socioambiental da região
Por Ana Maria Barbour, especial para o WWF-Brasil Mais de 100 pessoas, em sua maioria agricultores, marcaram presença, entre 15 e 17 de outubro, no encontro Ideias Renovadoras: Semeando Agroflorestas na Bacia do Rio Doce, realizado na sede do Instituto Terra, em Aimorés (MG). O evento, promovido pelo WWF-Brasil e pela Fundação Renova, com o apoio do CIFOR-ICRAF (Center for International Forestry Research and World Agroforestry) e do Mutirão Agroflorestal, teve como objetivo conectar pessoas que atuam com Sistemas Agroflorestais (SAF) na Bacia do Rio Doce e Espírito Santo, promovendo a troca de conhecimentos e de soluções para superar desafios.
As atividades se desenvolveram, ao longo dos três dias, por meio da formação de grupos de trabalho nos quais os agricultores compartilharam suas experiências em campo e trouxeram exemplos de que o cultivo de agroflorestas gera renda e é um dos caminhos para reverter o atual quadro de degradação da bacia, especialmente no Médio Rio Doce.
"Tivemos momentos de debates riquíssimos, mostrando como enfrentar desafios com soluções práticas, tomando como exemplo a realidade e o fazer de cada um em suas propriedades, trabalhando em redes, mutirões e promovendo intercâmbios, capacitações e fortalecimento das capacidades de acesso a mercados inclusivos e diferenciados ", avalia Henrique Rodrigues Marques, Oficial de Programa no CIFOR-ICRAF Brasil.
Leda Tavares, Especialista de Conservação do WWF-Brasil, explica que a região vive há vários anos um processo importante de empobrecimento do solo, motivado pelo desmatamento, ocupação intensa e erosão, além de um modelo de exploração pecuário insustentável. Essa situação, somada à emergência climática vem prejudicando muito a renda de pequenos e grandes produtores, bem como todo o ecossistema local. Além disso, em 2015, o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, agravou a crise social e ambiental.
Nesse cenário, o cultivo de árvores, associado à produção de alimentos e geração de renda, é uma opção promissora para a recuperação da área. “Isso estava bastante evidente para os participantes do evento. Ficou claro também que os arranjos de SAF não precisam ser necessariamente complexos e biodiversos, podendo manter parte da atividade pecuária que é realizada na região, mas com o incremento das agroflorestas”, conta Leda.
Além da troca de experiências, durante o encontro os agricultores criaram um grupo de conversa por aplicativo, chamado “Rio Doce Agroflorestal”, para manter a comunicação e planejar encontros futuros. “Vimos surgir a ideia de uma grande rede agroflorestal na bacia do Rio Doce e outras regiões fora da bacia, que poderá ajudar a superar os desafios e alcançar os objetivos propostos”, aponta Henrique Rodrigues Marques.
Agora, os principais aprendizados e resultados do encontro, além de 30 experiências que foram vistas durante o mês de agosto na região, serão compilados em uma publicação, que já está sendo elaborada. O material trará, ainda, dados do Concurso Ideias Renovadoras, ocorrido em 2020, e informações e dicas elaboradas a partir de análises financeiras de três experiências bem-sucedidas de SAF. A previsão é que a publicação fique pronta no início de 2025 e seja distribuída para os agricultores inseridos na bacia do rio Doce, especialmente aqueles que cultivam agroflorestas.