Potencial de Geração de Energia Elétrica Fotovoltaica de Brasília

novembro, 25 2016

Sob a supervisão dos técnicos do WWF-Brasil, estudantes da UNB orientados pelo professor de engenharia elétrica Rafael Shayani mapearam os telhados de algumas regiões do DF, para a partir deles, avaliar o seu potencial de geração solar fotovoltaica.
A geração de energia elétrica (juntamente com sistemas de aquecimento) é o principal fator de emissão de gases de efeito estufa no mundo, correspondendo a 25% do total global. No Brasil, apesar da base da matriz elétrica ser por hidrelétricas, as mudanças no fluxo das chuvas têm causado diminuição no nível dos reservatórios e uma dependência de outras fontes complementares, em especial as termelétricas – extremamente caras e poluentes.

Além disso, a produção de energia está concentrada em alguns pontos do país, fazendo com que a eletricidade precise atravessar milhares de quilômetros em diferentes ecossistemas até chegar a seu destino. No Distrito Federal, por exemplo, mesmo com toda a irradiação solar, praticamente toda a eletricidade consumida em Brasília é gerada em outras regiões, com 80% vindo da Usina Hidrelétrica de Furnas e 20% da Usina de Itaipu – ambas bem distantes por isso em constante risco de queda de energia. Porém, um estudo inédito do WWF-Brasil em parceria com a Universidade de Brasília e apoio técnico da ABSOLAR mostra, em números, que o cenário não precisa ser assim.

O estudo, chamado “Potencial da Energia Solar Fotovoltaica de Brasília”, vai ao encontro do Programa Brasília Solar do Distrito Federal, institucionalizado pelo  decreto 37.717,  publicado no 
Diário Oficial em 20/10/2016 e pelas metas brasileiras de ampliação de oferta de eletricidade por fontes renováveis não hídricas e redução de gases de efeito estufa.

Sob a supervisão dos técnicos do WWF-Brasil, estudantes da UNB orientados pelo professor de engenharia elétrica Rafael Shayani mapearam os telhados de algumas regiões do DF, para a partir deles, avaliar o seu potencial de geração solar fotovoltaica. “Uma vantagem da energia solar em Brasília é que os módulos podem ser espalhados nos telhados, não vão ocupar área útil e tendem a se integrar com as edificações”, comenta Shayani ao acrescentar que seria uma solução para a crise energética.

O material traz números de geração de eletricidade em algumas regiões do DF, sugestões de modelos para o aproveitamento solar fotovoltaico (seja em residências individuais, em condomínios verticais e horizontais e em prédios públicos), custos médios e tempo de retorno financeiro desses investimentos, além de comentários sobre os avanços e os desafios regulatórios e financeiros para o setor.

De acordo com o relatório, a localização geográfica, pequena extensão territorial e alta taxa de irradiação, com mais de seis meses de seca por ano, dão a Brasília uma vocação natural para geração de energia solar fotovoltaica. Veja alguns dados extraídos do documento:
 
- O recurso solar para o Centro-Oeste é equivalente ao encontrado nas regiões Nordeste e Sudeste, sendo que uma das melhores irradiações do Centro-Oeste e do Brasil se encontra no Distrito Federal (5,8 kWh/m2)
6085 GWh é o consumo anual de eletricidade no Distrito Federal
 
- Em um prédio padrão das Asas Norte e Sul, com 6 andares, 8 apartamentos por andar, 1.250 m2 de telhado e consumo médio por apartamento de 215 kWh/mês, é necessário apenas 40% da área do telhado para gerar a eletricidade demandada dos apartamentos (sem contar a parte de uso comum)

- O DF possui um território de 5780 km2. É possível gerar toda a eletricidade demandada no DF colocando módulos fotovoltaicos em somente 0,41% dessa área, o que equivalem a 24km2.
Estudantes da UNB mapearam os telhados de algumas regiões do DF, para avaliar o seu potencial de geração solar fotovoltaica.
© WWF-Brasil
DOE AGORA
DOE AGORA