Mundo votou por uma ação decisiva contra as mudanças climáticas



01 abril 2009

Acompanhe como foi a Hora do Planeta na sequência dos fusos horários ao redor do mundo:


Hora do Planeta começa e termina no Pacífico
Os primeiros ícones mundiais foram desligados na Nova Zelândia
O apoio das ilhas do Pacífico
Ameaçada pelo clima, a Austrália fez a declaração mais forte
Participação recorde nas Filipinas
Altas torres sem luz em toda a Ásia
A China enviou sua mensagem a favor do clima
A Índia (e Bollywood) considera prioritária a ação contra mudanças climáticas
O Oriente Médio atendeu à chamada
O Ártico derrete e a Rússia pede ao mundo para agir
A África compartilha a preocupação com o clima
O berço da democracia vota em prol de ações climáticas
Entusiasmo na Europa do Leste
A Europa pede um novo tratado do clima
As badaladas do Big Ben soaram no apelo climático
As luzes desligadas onde as lâmpadas foram inventadas
O Canadá se supera
Hora do Planeta foi exuberante no Brasil
Hora de agir



Centenas de milhões de pessoas em milhares de comunidades no mundo todo fizeram um apelo a suas lideranças para que proponham ações decisivas de enfrentamento às mudanças climáticas no âmbito mundial. Esse grito de alerta foi feito com um gesto simples – apagar as luzes – e ocorreu durante a Hora do Planeta, evento mundial organizado pela Rede WWF, que ultrapassou todas as expectativas. A meta era fazer com que 1.000 cidades apagassem as luzes durante uma hora, mas, no último sábado, 3.943 cidades em 88 países desligaram os interruptores.

Antes do evento, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu a Hora do Planeta como “a maior demonstração da preocupação pública com as mudanças climáticas que já se tentou fazer”, enquanto o bispo Desmond Tutu, ganhador do prêmio Nobel da Paz, disse que o voto mundial em prol de ações contra as mudanças climáticas era, potencialmente, “um dos maiores movimentos sociais que o mundo já viu”.

Foram planejadas pesquisas e auditorias, no futuro próximo, para apurar melhor os números dos participantes na Hora do Planeta 2009. Mas já está claro que a ideia de votar a favor do planeta apagando as luzes durante uma hora teve a adesão de muito mais do que as 3.943 comunidades que se cadastraram para participar. Em 25 fusos horários diferentes, uma onda de luzes se apagando percorreu o planeta.

Sob a Torre Eiffel, em Paris, quando o monumento que identifica a Cidade Luz teve suas luzes desligadas, o diretor-geral da Rede WWF, James Leape, declarou que “durante os próximos oito meses, os governos precisam se unir para lidar com o problema das mudanças climáticas”. O momento para essa união é a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, que acontece em Copenhagen, em dezembro deste ano. “Centenas de milhões de pessoas em todo o planeta estão criando o ímpeto que precisamos para alcançar o acordo necessário em Copenhagen”.

Ban Ki-moon disse que “a Hora do Planeta é uma forma pela qual todos os cidadãos do mundo podem enviar uma mensagem clara dizendo que querem ações de combate às mudanças climáticas”. Ele acrescentou que espera que a conferência da ONU proponha um acordo substitutivo para o Protocolo de Quioto, o qual está inadequado e prestes a expirar. “Precisamos de um acordo ambicioso, um acordo que seja justo e eficaz, um acordo de base científica”, afirmou.

Hora do Planeta começa e termina no Pacífico

Ao cair da noite de sábado, nas remotas Ilhas Chatham, na Nova Zelândia, no Pacífico Sul, foi dado o chute inicial da Hora do Planeta. Situado 800 km a leste da Nova Zelândia e com fuso horário diferente das principais ilhas, o arquipélago tem uma população de cerca de 600 pessoas e abriga 20% das espécies de aves ameaçadas do país.

Quando os habitantes das Ilhas Chatham acordaram no domingo de manhã, horário local, a Hora do Planeta estava desligando luzes por toda a Europa. Cerca de 24 horas depois do primeiro voto em prol do combate às mudanças climáticas, dado nas Ilhas Chatham, os habitantes de Honolulu, no Havaí, e de outras ilhas do Pacífico concluíram os eventos da Hora do Planeta apagando as suas luzes.

Os primeiros ícones mundiais foram desligados na Nova Zelândia

Ao iniciar a Hora do Planeta 2009, 996 monumentos mundiais – desde montanhas até prédios históricos e ícones da arquitetura moderna – haviam sido oficialmente cadastrados para participar do evento. Na Nova Zelândia, a torre Auckland Sky, os prédios do Parlamento em Wellington e a Catedral Christchurch tiveram suas luzes apagadas.

    
(C) Chris Gorman. Imagem da Sky Tower em Auckland,  durante a Hora do Planeta.

Em Hamilton, mais de 50 mil pessoas participaram de um concerto de música ao vivo, enquanto na Catedral Christchurch um casal de noivos celebrou o casamento no escuro – tudo para marcar a Hora do Planeta, segundo o noivo James Harrison declarou para a televisão. No total, 44 cidades e regiões da Nova Zelândia participaram.

O apoio das ilhas do Pacífico



As ilhas Fiji foram manchete na última edição da Hora do Planeta, quando o isolado vilarejo Visoqo comemorou a Hora do Planeta ao acender as luzes pela primeira vez na história. Na semana anterior, os habitantes de Fiji ficaram bem ocupados para desempacotar e instalar painéis solares, para que o vilarejo, pela primeira vez, dispusesse de energia de fonte totalmente renovável.

As nações das ilhas do Pacífico emergiram como grandes atores dessa campanha em prol de ações para combater as mudanças climáticas no âmbito mundial, tendo por foco as ameaças do aumento do nível da água dos mares e de uma maior ocorrência de tempestades para as comunidades que vivem poucos metros acima do nível do mar. O aquecimento das águas também ameaça os corais, que são essenciais para a alimentação e a vida econômica das comunidades de ilhéus, além de servirem de pára-choque contra as tempestades tropicais.

Ameaçada pelo clima, a Austrália fez a declaração mais forte
Esperava-se que a cidade de Sydney, na Austrália, onde dois anos atrás começou o movimento da Hora do Planeta, registrasse um dos maiores índices mundiais de participação entre sua população de mais de 4 milhões de habitantes.

Uma multidão de centenas de pessoas assistiu enquanto seus monumentos mais conhecidos – como o prédio da Ópera de Sydney e a ponte chamada de “Cabide”, nome pelo qual é conhecida a famosa Ponte Harbour – tiveram suas luzes desligadas ao iniciar a Hora do Planeta. Esses dois ícones da cidade estão frente a frente, diante do Cais Circular, na baía de um dos maiores portos naturais do mundo. Foi ali, onde aportaram os primeiros colonos europeus, que nasceu o único país a ocupar um continente inteiro.

Por toda a Austrália, 309 pontos de 46 cidades, inclusive minúsculas e remotas comunidades do interior, como a Banana Shire, se cadastraram para participar da Hora do Planeta. Graves impactos das mudanças climáticas devem ser sentidos no continente mais seco do mundo, com secas mais severas e prolongadas e tormentas tropicais mais frequentes.




Na segunda maior cidade da Austrália, Melbourne, ficaram às escuras a histórica estação Flinders Street, a praça Federation Square – onde foi programado um concerto movido a pedaladas –, o terraço Skydeck na Torre Eureka e as Torres Rialto.

Na capital, Camberra, o apagão extinguiu todas as luzes, exceto as de segurança, no Supremo Tribunal da Austrália, na Biblioteca Nacional, no Memorial de Guerra e na sede do Parlamento.



(C) James Alcock -  A Ópera de Sidney às escuras pela Hora do Planeta 2009.

Participação recorde nas Filipinas
As Filipinas foram o país com o maior número de cidades e distritos cadastrados na Hora do Planeta, com a participação de mais de 650 comunidades.

O evento começou com o desligar das luzes no templo Rizal Shrine, um dos principais monumentos de Manila, em homenagem ao herói filipino Dr. José Rizal. O enorme shopping center Mall of Asia – o quarto maior shopping center do mundo, situado em Pasay City – também ficou às escuras numa cerimônia que atraiu centenas de pessoas.

As Filipinas fazem parte da meia dúzia de países que compartilham o Triângulo de Corais, um centro mundial de biodiversidade marinha que abriga seis das sete espécies de tartarugas marinhas e mais de 3 mil espécies de peixes, inclusive o peixe-lua, que pesa 1 tonelada, e o celacanto, espécie que, até recentemente, era considerada extinta junto com os dinossauros, há 65 milhões de anos.

No entanto, mais de 18% dos recifes de corais daquela região foram danificados ou destruídos devido ao aumento da temperatura da água do oceano em 1998-99. Esse evento evidencia os enormes riscos das mudanças climáticas para o meio ambiente, a segurança alimentar e a economia dos países e comunidades situados na costa.

Altas torres sem luz em toda a Ásia
A estátua Merlion, de Cingapura – referência cultural e atração turística popular no país – ficou às escuras, assim como a gigantesca roda de observação aérea chamada Singapore Flyer.

O skyline (silhueta dos edifícios mais altos) também escureceu na capital indonésia, Jacarta, quando as luzes foram apagadas no Monumento Nacional, na rótula do Hotel Indonésia, na Prefeitura, na estátua Pemuda e na fonte Arjuna Wijaya. 

As torres gêmeas Petronas, que de 1998 a 2004 ocuparam o lugar do prédio mais alto do mundo, ainda hoje são as torres gêmeas mais altas que existem e também desligaram suas luzes.

Em Taiwan, o edifício Taipei 101, que eclipsou as torres gêmeas e permanece como um dos prédios mais altos do mundo, teve suas luzes desligadas durante a Hora do Planeta. O prédio que em meados deste ano será oficialmente declarado o edifício mais alto do mundo, a torre Burj Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, também ficou no escuro. Em Nova Iorque, do outro lado do mundo, o famoso edifício Empire State Building também deu seu voto pela necessidade de agir para enfrentar as mudanças climáticas.

A China enviou sua mensagem a favor do clima

 
(C) Janek Zdzarski / WWF China - Ninho do Pássaro em Pequim
Seja em restaurantes com jantares românticos à luz de velas ou no emblemático estádio Ninho de Pássaro com suas luzes apagadas, os cidadãos do país mais populoso do mundo enviaram uma mensagem poderosa, dizendo que é preciso agir para combater as mudanças climáticas.

Um grande número de importantes monumentos chineses em Pequim e Xangai – cidades que somam uma população de mais de 36 milhões de pessoas – ficaram no escuro para marcar a Hora do Planeta.

A China é um dos principais produtores de gases de efeito estufa, principalmente devido à queima de carvão e a atividades industriais derivadas do rápido desenvolvimento econômico dos últimos anos. Ainda assim, suas emissões per capita são baixas, segundo padrões ocidentais.

Em Pequim, as luzes se apagaram em uma série de prédios que se destacam no Parque Olímpico. Num evento emblemático, as luzes foram desligadas em série, primeiro na torre Ling Long Tower, seguindo-se a praça Pangu Plaza, as ruas do Parque Olímpico, o estádio Ninho de Pássaro e o Cubo d’Água.

Em Xangai, foram desligadas as luzes da torre Oriental Pearl Tower, do centro financeiro Shanghai World Financial Center, dos prédios do governo distrital e do governo municipal pela cidade. O hotel Power Valley JinJiang International Hotel, em Baoding, assim como a torre Drum Tower, em Nanjing, também ficaram às escuras.

A Sinfonia de Luzes do Cais Victoria, em Hong Kong, que é o maior show permanente de luzes do mundo, também foi apagada para marcar a Hora do Planeta. A agência de notícias chinesa Xinghua relatou que mais de 1.800 edifícios, 600 empresas e organizações, mais de 160 escolas e todas as universidades de Hong Kong desligaram suas luzes.

A Índia (e Bollywood) considera prioritária a ação contra mudanças climáticas
“As mudanças climáticas são, sem dúvida alguma e infelizmente, o maior desafio ambiental imediato e a longo prazo que enfrentamos”, afirmou o famoso ator e cineasta de Bollywood, Aamir Khan, numa declaração que liderou a participação do país na Hora do Planeta.

O segundo país mais populoso do mundo participou com entusiasmo da Hora do Planeta. Houve atividades oficiais em cidades como Delhi, Mumbai, Bangalore, Cochin, Thiruvananthapuram, Dehradun, Shimla, Chandigarh e Hyderabad, assim como em numerosas comunidades menores.

Os monumentos mais conhecidos de Mumbai, que são os prédios do banco Reserve Bank e da companhia aérea Air India, assim como o emblemático Hotel Ashok ficaram às escuras, juntamente com centenas de outros prédios na cidade. Gigantes da Índia, como as empresas IT, WIPRO e Infosys, também aderiram.

O Oriente Médio atendeu à chamada

No Kuwait, houve um dia de atividades para esperar a Hora do Planeta, inclusive uma feira ambiental e um seminário sobre o aquecimento mundial, realizado na ilha que é uma atração turística popular, a Green Island. Durante a Hora do Planeta, o público teve acesso a um telescópio para olhar as estrelas.

Dubai, a movimentada metrópole que é o centro do comércio mundial no Oriente Médio, rico em petróleo, liderou o poderoso apoio dado pelas nações do golfo para a Hora do Planeta e fez com que duas de suas maiores joias arquitetônicas ficassem no escuro.

  
(C) Fawaz Al Arbash - A torre do Kuwait apaga suas luzes

A enorme torre Burj Dubai, que atualmente atinge 688 metros de altura, será o edifício mais alto do mundo quando estiver pronto. Já Burj Al Arab, que significa Torre dos Árabes, é um dos hotéis mais altos do mundo e tem 321 metros de altura. Ambos desligaram as luzes no sábado à noite.

A popular banda de rock Coldplay vestiu camisetas da Hora do Planeta ao pisar no palco do concerto realizado em Abu Dhabi, de modo a não emitir carbonos. Em Abu Dhabi, o WWF é parceiro na construção da mais ambiciosa comunidade urbana verde do mundo, a Masdar City.

No Egito, a Esfinge e a Pirâmide de Gizé, com 5 mil anos de idade, foram os monumentos mais antigos entre os muitos que ficaram às escuras durante a Hora do Planeta, refletindo a preocupação com a ameaça de colisão entre o crescimento populacional e a aridez provocada pelas mudanças climáticas.


(C) Shawn Bal



(C) Shawn Bal

Istambul, a cidade onde a Europa encontra a Ásia, liderou o movimento da Hora do Planeta na Turquia, que teve o apoio de dúzias de empresas, desde poderosas multinacionais até empreendimentos locais.


O Ártico derrete e a Rússia pede ao mundo para agir 

A Hora do Planeta teve sua passagem mais longa na Rússia, onde atravessou 11 fusos horários na maior nação do mundo em termos de área geográfica. Grande parte do país se encontra próximo ao Ártico, onde se verifica uma retração das geleiras marinhas no verão, decorrente do aquecimento das regiões polares num ritmo muito mais rápido do que o do planeta.

Os ursos polares – e na Antártida os pinguins – tornaram-se grandes símbolos das vítimas ameaçadas pelas mudanças climáticas no mundo natural.

As luzes foram apagadas também no minúsculo vilarejo de Vankarem, situado junto aos glaciares do verão Ártico. Como as migrações de ursos polares geralmente atravessam o vilarejo, por medida de segurança, antes de desligar as luzes, os membros da Patrulha de Ursos vasculharam o local para eliminar a possibilidade da presença de ursos no evento.

  
(C) Alxander Efgrafov - Ponte Smolansk Bridge sobre o rio Moscou

Ainda mais ao norte, membros da expedição de pesquisa da Catlin Arctic Survey fizeram um vídeo da equipe fazendo a contagem regressiva para a Hora do Planeta. Essa pesquisa, que é em parte patrocinada pelo WWF, realiza a primeira investigação subterrânea jamais feita para conhecer a espessura da calota de gelo do Ártico.

É provável que esse estudo confirme o temor dos cientistas de que as geleiras mais antigas e mais espessas estão desaparecendo. Isso reforçaria as previsões de que os glaciares marinhos de verão podem desaparecer no espaço de uma geração, com consequências catastróficas para um ecossistema que é essencial para os organismos que sustentam desde a flora e a fauna unicelulares até as baleias.

No momento em que o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, juntamente com o diretor do WWF-Rússia, Igor Chestin, desligou um imenso interruptor simbólico, a multidão assistiu a um vídeo projetado sobre um telhado gigante. O vídeo mostrou o apagar das luzes em cerca de 25 monumentos da cidade, inclusive a sede do governo municipal, o estádio olímpico Luzhniki, a ponte Smolensky e outros lugares ao longo do rio Moscou, a Universidade de Moscou e a “casa alta de Kotelnicheskaya”, o arranha-céu da era soviética. Segundo estimativas preliminares de Moscou, cerca de um milhão de pessoas participaram da Hora do Planeta, sendo que mais de 100 mil se cadastraram para o evento no site do WWF-Rússia.




A África compartilha a preocupação com o clima
A África, onde há graves impactos climáticos que atingem principalmente o abastecimento de água e a terra arável, também aderiu à Hora do Planeta. O bispo sul-africano Desmond Tutu descreve a Hora do Planeta como um voto mundial a favor de ações de combate às mudanças climáticas e potencialmente “um dos maiores movimentos sociais já vistos no mundo”.

“As mudanças climáticas são a maior crise provocada pelo homem que o mundo enfrenta hoje”, disse o detentor do Prêmio Nobel da Paz. “Não faz nenhuma discriminação de raça, cultura ou religião: afeta todos os seres humanos do planeta”.

“Se todos nós concretizarmos esse simples ato juntos, enviaremos aos nossos governos uma mensagem poderosa demais para ser ignorada por eles”.

Os sul-africanos acolheram esse conselho e desligaram suas luzes. Imagens filmadas das luzes sendo apagadas na Montanha da Mesa, na Cidade do Cabo, foram vistas no mundo inteiro. A principal comemoração da Hora do Planeta na Cidade do Cabo ocorreu numa das atrações turísticas mais visitadas na África do Sul: o cais Victoria & Albert Waterfront, palco de um concerto no escuro.

Em Johannesburgo, o Coro Gospel do Soweto celebrou a Hora do Planeta na Praça Mandela, enquanto se apagavam as luzes de doze edifícios especiais, desde o centro cívico Jabulani até o de Roodepoort.


(C) Richard Ward - Table Mountain, na África do Sul

  
(C) Richard Ward - Table Mountain, na África do Sul e Orquestra Filarmônica da Cidade do Cabo.

O esforço dos donos de casa e comunitários ajudou a fazer da Hora do Planeta um sucesso no Quênia, complementando o desligamento das luzes em alguns dos maiores e mais importantes prédios de Nairóbi, começando pela torre principal do Centro Internacional de Conferências de Kenyatta e os edifícios da ONU, inclusive a sede do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA.

O berço da democracia vota em prol de ações climáticas
Na Grécia, berço da democracia, a participação na Hora do Planeta foi particularmente poderosa. Calcula-se que 50 mil moradores e 1 mil empresas participaram em 400 municípios, de acordo com o WWF-Grécia. Centenas de habitantes do bairro Plaka, em Atenas, caminharam segurando lanternas aos pés do antigo rochedo, durante uma hora, para dar destaque à ameaça das mudanças climáticas.

O palácio presidencial, a sede do parlamento e uma pista do Aeroporto Internacional de Atenas também tiveram suas luzes desligadas. O apagão mais simbólico, porém, foi o que aconteceu na Acrópole, onde o prédio central do Partenon ficou às escuras durante uma hora.



(C) Emilio Javier García Escobar -  Acrópolis, Grécia

O Partenon foi encomendado por Péricles em meados do século 5 A.C., no auge do poderio grego. O resultado foi um templo de mármore de proporções perfeitas, cercado por 46 colunas dóricas. A construção é geralmente considerada o prédio mais importante no cânone da civilização ocidental.

Além da antiga Acrópole, foram apagadas as luzes no templo de Poseidon, em Sounion, assim como no Templo de Atena Líndia, em Rodes, uma das 12 ilhas do Dodecaneso.

Entre outros monumentos gregos que ficaram no escuro durante uma hora, estavam o estádio Olímpico, sede dos Jogos de Verão 2004, e a ponte Rio-Antirion para o Peloponeso, que é a maior ponte suspensa que existe.

Entusiasmo na Europa do Leste
A conscientização sobre conservação ambiental e mudanças climáticas pode ser ainda muito limitada na ampla faixa da Europa do Leste, dominada pelos Montes Cárpatos. No entanto, a primeira Hora do Planeta já realizada nessa área suscitou uma resposta muito acima das expectativas da minúscula equipe encarregada do evento na região.

Na Bulgária, a meta era garantir a participação de seis municípios, mas chegou a 42 o número de municípios que aderiram, com o apoio entusiasmado de um ministro federal.

Na capital, Sofia, 45 monumentos ficaram às escuras, inclusive todos os prédios governamentais, o Parlamento, o escritório presidencial, o Palácio da Cultura, o Teatro Nacional, o Banco Nacional, a Catedral Nevski, a Sinagoga e a Mesquita de Sofia – “basicamente tudo que está no centro da cidade”, segundo a descrição dos organizadores do evento.

O maior prédio da administração civil do mundo, que é a sede do Parlamento da Romênia em Bucareste, desligou suas luzes enquanto sediava um concerto acústico. Outros marcos importantes de Bucareste que ficaram às escuras foram o Teatro Nacional, a Ópera, o Ateneu, o Museu Nacional de Artes e o Centro Militar Nacional, além de dezenas de cafés, restaurantes e hotéis que aderiram ao movimento.

Cerca de 20 cidades romenas participaram oficialmente, e três delas tiveram as luzes desligadas em todas as ruas e prédios públicos durante uma hora. Dois milhões de romenos – ou 10% da população do país – participaram da Hora do Planeta, de acordo com o Diretório Nacional de Energia.

Mais de 30 municípios participaram na Sérvia, inclusive a capital Belgrado e Novi Sad. Alguns municípios menores tiveram que pagar para desligar as luzes nessa ocasião, mas enfrentaram os custos com coletas locais. As autoridades municipais de Belgrado organizaram um evento oficial no escuro, enquanto a Coca-Cola patrocinou a entrada grátis no observatório para olhar as estrelas.

Sasha Kalcova, a líder vocal da banda ucraniana Krihitka Zahes, apagou as principais luzes no meio de um concerto pela Hora do Planeta, organizado pelo WWF e a MTV na estufa do Jardim Botânico de Kiev, e cantou com uma lâmpada econômica em sua mão, antes de improvisar um discurso sobre a Hora do Planeta e a necessidade de economizar energia. Outras 15 cidades ucranianas, Odessa entre elas, participaram das comemorações da Hora do Planeta.

A Europa pede um novo tratado do clima
Na nova capital administrativa da União Européia, Bruxelas, na Bélgica, todos os 65 prédios institucionais da UE ficaram sem luz, inclusive a Comissão Européia, o Parlamento Europeu, o Comitê Econômico e Social e o Comitê das Regiões.

O famoso Atomium, em Bruxelas, considerado uma obra prima da arquitetura e do design, também escureceu durante a Hora do Planeta.


     
(C) C. Sabam - O Átomo em Bruxelas

Segundo o WWF-Bélgica, as luzes foram desligadas em 500 mil casas em 193 cidades belgas – isso equivale a uma de cada três casas do país. Nada menos do que 329 empresas também se cadastraram para registrar seu apoio à Hora do Planeta.

Paris liderou uma lista de 28 cidades francesas que aderiram ao voto mundial para pedir ações decisivas contra as mudanças climáticas. A lista incluiu a segunda e a terceira maiores cidades da França, Marselha e Lyon, assim como outros grandes centros urbanos como Nantes, Le Mans, Bordeaux, Montpellier, St. Etienne, Gap, Grenoble e Estrasburgo.

A participação na Hora do Planeta na França atingiu 8 milhões de pessoas em 200 cidades e comunidades, segundo estimativas do WWF-França. Muitos ícones famosos do país mais visitado do mundo também ficaram no escuro nessa ocasião. Só em Paris, a lista incluiu a Torre Eiffel, o Arco do Triunfo, a catedral Notre Dame e o museu do Louvre. Como parte das comemorações, mais de 200 patinadores saíram às ruas para fazer um tour de uma hora na cidade às escuras – o objetivo era visitar todos os documentos cujas luzes haviam sido apagadas.

Em Bonn, na Alemanha, delegados do mundo todo estão reunidos para as negociações preliminares do novo acordo sobre mudanças climáticas que deve ser fechado em Copenhagen, em dezembro próximo. Lá alguns dos edifícios mais importantes da cidade tiveram suas luzes desligadas na Hora do Planeta. Um deles – Correios Alemães – é o prédio mais alto da antiga capital da Alemanha Ocidental. Ele é visível do local onde se realizam essas negociações cruciais.

Um grupo de escoteiros alemães entregou uma urna, símbolo mundial do voto, para Yvo Boer, secretário-executivo da Convenção-Quadro das Nações Unidos sobre Mudanças do Clima. Membros do movimento escoteiro mundial, com 28 milhões de sócios, estavam entre os primeiros e mais entusiásticos apoiadores da Hora do Planeta 2009.

O melhor do “made in Italy”- luminares italianos da arte, moda, futebol e alimentação – também se mobilizou para fazer sua parte na Hora do Planeta, juntamente com 160 cidades em todo o país.

O astro do futebol Francesco Totti desligou as luzes do Coliseu de Roma, enquanto do outro lado do rio Tibre a Catedral de São Pedro também ficou às escuras. Entre outros monumentos italianos que participaram do evento estão a Ponte do Rialto, em Veneza, e a torre inclinada de Pisa.

Estima-se que entre 15% e 20% da população espanhola, ou cerca de 7 milhões de pessoas, apagaram as luzes durante a Hora do Planeta. Mais de 200 cidades e municípios participaram desse esforço mundial e as luzes foram desligadas em 100 monumentos. Tesouros históricos, tais como a famosa fortaleza e palácio da Alhambra, em Granada, bem como o Palácio Real e a sede do Parlamento Espanhol, em Madri, tiveram suas luzes desligadas na Hora do Planeta.

Os sinos de igreja badalaram em toda a Suécia quando as luzes se apagaram, enquanto na Finlândia o Palácio de Gelo, na Praça do Mercado, em Helsinki, ficou às escuras. Em Copenhagen, onde é imperativo que em dezembro se concretize um novo acordo mundial, eficaz e equitativo, os restaurantes colocaram velas e lanternas para os clientes que vieram jantar enquanto as luzes permaneciam desligadas nos monumentos da cidade, inclusive os palácios reais.

As badaladas do Big Ben soaram no apelo climático

  
(C) Benjamin Ealo - O Big Ben é apagado em Londres

Mais de 200 monumentos do Reino Unido, inclusive o Big Ben e o Palácio de Westminster, em Londres, e o Castelo de Edimburgo, ficaram às escuras durante a Hora do Planeta. Mais de 100 cidades do Reino Unido, entre as quais Londres, Belfast, Cardiff, Edimburgo, Manchester, Newcastle, Bristol e Birmingham, participaram daquilo que se tornou a maior manifestação das massas sobre mudanças climáticas.

Em Newcastle, a Ponte do Milênio de Gateshead e todo o cais ficaram no escuro. Em Bristol, a Ponte Suspensa de Clifton teve as luzes desligadas, e os moradores da cidade participaram de uma caminhada à luz de vela na natureza.

O Castelo de Edimburgo e a sede do Parlamento Escocês lideraram a lista de monumentos que tiveram suas luzes apagadas na Escócia, juntamente com a Ponte Forth Rail Bridge. Em Cardiff, centenas de visitantes acompanharam a ministra galesa do Meio Ambiente, Jane Davidson, num jantar especial à luz de velas no Estádio do Milênio.

Em Belfast, o prefeito participou da contagem regressiva para que as luzes fossem desligadas em monumentos-chave da cidade, como a Prefeitura, a Roda Gigante de Belfast e a sede do Parlamento, conhecida como Stormont.

Cerca de 650 empresas e muitos clubes de futebol como o Manchester United, Tottenham Hotspur e Newcastle United também demonstraram seu apoio. O estádio de Wembley apagou as luzes do arco emblemático.

As luzes desligadas onde as lâmpadas foram inventadas
Alguns dos arranha-céus mais conhecidos dos Estados Unidos ficaram às escuras no sábado à noite – em Atlanta, Baltimore, Boston, Chicago, Dallas, Houston, Las Vegas, Los Angeles, Miami, Nashville, Nova Iorque, Salt Lake City, St. Louis, Tucson e na capital federal, Washington D.C. – um lugar para o qual o mundo olha, observando o novo governo norte-americano em busca de indícios claros de uma visão mundial para a questão das mudanças climáticas.

A participação na Hora do Planeta tornou-se uma atividade oficial dos estados da Pensilvânia, Califórnia, Arkansas, Novo México e Michigan.


(C) Jin Lee - Ponte do Brooklyn depois de ter sua iluminação apagada

As luzes foram desligadas num local que costuma ser mais associado com a invenção da lâmpada incandescente – o laboratório Thomas Edison em West Orange, Nova Jersey. Em Nova Iorque, os grandes arranha-céus do Chrysler Building e do Empire State ficaram apagados durante o evento, bem como alguns dos outdoors luminosos no Times Square e os cartazes das fachadas dos teatros na Broadway.

Em Washington, D.C., as famílias organizaram uma caminhada à luz de velas para observar a cidade no escuro, contra a cúpula escurecida do Capitólio, sede do Congresso Nacional. A oeste, a ponte Golden Gate em São Francisco também teve suas luzes desligadas.

Ainda mais emblemático para um mundo que enfrenta a catástrofe climática mundial foi o fato de que se apagaram as luzes na sede da ONU – mais cedo, elas já haviam sido desligadas em outros escritórios da organização pelo mundo, como o Palácio das Nações em Genebra, na Suíça.

A participação dos Estados Unidos na Hora do Planeta significou uma mensagem clara de que os norteamericanos se importam com o futuro do planeta e que se alinham ao resto do mundo na busca de soluções para a escalada da crise climática, de acordo com o WWF-Estados Unidos.

O Canadá se supera
O Canadá, um entusiasmado participante do evento Hora do Planeta em 2008, se superou este ano, e os números do consumo de energia elétrica provam isso. A companhia de energia elétrica de Toronto relatou uma queda de 15,1% na utilização da luz elétrica durante a Hora do Planeta 2009, em comparação com os 8,7% atingidos na Hora do Planeta 2008.

Com 258 cidades e municípios cadastrados, o Canadá sediou dúzias de eventos públicos, inclusive para olhar as estrelas, ver shows de mágica e até fazer aula de ioga no escuro.



(C) Pi Media - Céu de Toronto

O céu de Toronto escureceu abruptamente quando edifícios famosos, como a Torre CN, juntamente com milhares de outras empresas e indivíduos, desligaram as luzes na cidade. Estima-se que entre 10 mil e 15 mil pessoas compareceram ao concerto gratuito realizado na Prefeitura de Toronto para marcar a Hora do Planeta.

O Canadá é o lar de muitos dos ursos polares que ainda restam no mundo, dois terços dos quais podem desaparecer nos próximos 50 anos devido às mudanças climáticas, segundo análises recentes feitas pela instituição de pesquisa geológica dos Estados Unidos (U.S. Geological Survey) e pela IUCN (União Mundial pela Conservação da Natureza).

Hora do Planeta foi exuberante no Brasil


(C) Americo Vermelho - Cristo Redentor, Rio de Janeiro

O grande ícone carioca, a estátua de 38 metros de altura do Cristo Redentor no topo do Corcovado, com vista para a cidade do Rio de Janeiro, foi um dos monumentos mais conhecidos e emblemáticos a apagar as luzes durante a Hora do Planeta. Mas o que se viu em toda a parte foi um país festejando no escuro.

Em Belém, houve uma apresentação de Boi Bumbá, festa regional bem popular. Em Brasília, um concerto de percussão se fez ouvir depois que as luzes foram desligadas. Em Manaus, o grupo Imbaúba tocou música acústica inspirada nos sons da Amazônia. No Rio de Janeiro, o AfroReggae fez um show com 50 percussionistas.

O número de cidades brasileiras que participaram da Hora do Planeta chegou a 113, além de 1.500 organizações e empresas. Cidades menores em todo o país também aderiram ao evento. Juazeiro do Norte, no Ceará, desligou as luzes da estátua do Padre Cícero, um símbolo da religiosidade da população nordestina. Em Ouro Preto, as luzes foram desligadas nos prédios coloniais.

“O Brasil tem a nona economia do mundo e um papel importante entre os países em desenvolvimento, pois é uma liderança nas negociações internacionais sobre mudanças climáticas”, disse a secretária-geral do WWF-Brasil, Denise Hamú. “Nós precisamos dar o exemplo para um desenvolvimento sustentável e justo.”

O Brasil e os demais países amazônicos esperam que a conferência do clima em Copenhagen, em dezembro próximo, proponha medidas novas para prevenir o desmatamento, que é uma das principais causas das emissões de gases de efeito estufa.

Na Colômbia, os moradores de oito cidades – inclusive os principais centros urbanos, como Bogotá, Medellín e Cartagena das Índias – apagaram as luzes para a Hora do Planeta.

O prefeito de Medellín aproveitou a oportunidade, durante um coquetel sem relação com o evento, e falou para as 1.500 pessoas presentes sobre pontos e monumentos apagados no país, como as Muralhas de Cartagena e a Fortaleza de São Felipe.

Hora de agir
“A Hora do Planeta 2009 foi um sucesso tremendo,” disse o diretor da Rede Internacional WWF, James Leape. “Se você participou da Hora do Planeta, nosso muito obrigado; sua participação tornou possível esse sucesso”.

“Independentemente de você ter ou não participado do evento, o trabalho continua. Durante os próximos seis meses, os líderes mundiais vão decidir como vão enfrentar esse desafio. E todos nós, juntos, precisamos garantir que eles façam a coisa certa”.

“Una-se a nós para levar essa luta da Hora do Planeta até dezembro, quando os líderes irão se reunir em Copenhagen para acordar uma solução para as mudanças climáticas. Juntos, nós podemos fazer com que esse problema seja resolvido”.

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