Conferência Anual 2014 | WWF Brasil


 
	©  ICMBIO/Parque Nacional do Iguaçu

Conferência Anual 2014

Pela primeira vez no Brasil

Em Foz do Iguaçu (PR), Rede WWF realizou conferência para discutir diretrizes globais de conservação

Yolanda Kakabadse, presidente do conselho do WWF Internacional, durante a abertura da Conferência Anual


Em 2014, o Brasil foi a sede da Conferência Anual da Rede WWF (World Wildlife Fund) pela primeira vez, realizada de 5 a 9 de maio, em Foz do Iguaçu (PR).

A Conferência reuniu a liderança do WWF para discutir as diretrizes estratégicas globais da instituição tendo como base os desafios socioeconômicos e ambientais. Neste ano, o tema que orientou as discussões foi "Alimentos, Água e Energia para Todos".

“Vivemos como se tivéssemos um planeta extra à nossa disposição. Utilizamos 50% mais recursos do que o planeta Terra pode produzir de forma sustentável. Até 2030, nem mesmo dois planetas serão suficientes. Mas temos, sim, capacidade para criar um futuro próspero que forneça alimentos, água e energia para todos somente se governos, empresas, organizações e cidadãos assumirem as responsabilidades por esse desafio. Uma visão integrada do uso desses recursos é de extrema urgência e relevância”, disse Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF no Brasil.



Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil, fala sobre a relevância da Mata Atlântica


Segundo o relatório Planeta Vivo do WWF, a produção de alimentos aumentou 45% nos últimos 20 anos. Até 2030, a demanda mundial por energia primária e por água crescerá 26% e 53%, respectivamente. Esse aumento na demanda impactará a produção de alimentos, que consome um terço da energia primária e 70% da água disponível no planeta, por exemplo.

O local da Conferência Anual do WWF foi escolhido por abrigar um dos maiores patrimônios naturais da humanidade, as Cataratas do Iguaçu, e por estar em um dos biomas mais ricos e ameaçados no mundo, a Mata Atlântica. Hoje, restam apenas 11,7% do bioma em seu estado natural e 60% dos animais ameaçados de extinção do país dependem desse ambiente para sobreviver. As áreas do Parque Nacional do Iguaçu, no Brasil, e do Parque Nacional Iguazú, na Argentina, chegam a 244 mil hectares protegidos de Mata Atlântica e abrigam mais de 250 espécies de árvores, estima-se que mais de 550 espécies de aves, 120 de mamíferos, 79 de répteis e 55 de anfíbios possam ser encontradas lá.
Entre os participantes do evento, estavam presentes Yolanda Kakabadse, presidente do conselho do WWF Internacional; Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional; André Hoffman, vice-presidente do conselho do WWF Internacional; Philippe Prufer, presidente do conselho do WWF-Brasil; e Maria Cecília Wey de Brito, CEO do WWF-Brasil.

No total, foram mais de 200 participantes e 100 convidados presentes.




Bráulio Dias, Mara Mourão e Marcos Jank foram os palestrantes da Conferência no Brasil

Destaque



Um dos pontos altos da Conferência foi a manhã do dia 6 de maio, quando foram feitas as palestras de Bráulio Dias, secretário executivo do Secretariado da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) da ONU; Marcos Jank, diretor global de Relações Governamentais da Brasil Food; e Mara Mourão, diretora, roteirista e fundadora da produtora Mamo Filmes. Eles apresentaram suas visões o tema Alimentos, Água e Energia para Todos.


Ainda neste dia foram realizados debates sobre a posição do WWF em relação aos "Objetivos de Desenvolvimento Sustentável" – um dos resultados da Rio+20, que deverá entrar em vigor no ano de 2015.



Álvaro de Souza, vice-presidente do conselho do WWF-Brasil, Yolanda Kakabadse, presidente do conselho do WWF Internacional, Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente, e Philippe Prufer, presidente do conselho do WWF-Brasil.


E, por fim, à noite, foi realizado o Family Dinner, com a participação de todos os líderes, convidados e a presença ilustre da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

 
	© WWF
Conferência Anual 2014
© WWF
Fotos
Durante a Conferência Anual, nossos líderes deram entrevistas importantes para o jornal Valor Econômico e a revista Veja:
 
	© Richard Stonehouse / WWF
Marco Lambertini, CEO do WWF Internacional
© Richard Stonehouse / WWF
"O petróleo tem que ficar onde está"
Confira trechos da entrevista de Marco Lambertini, diretor geral do WWF Internacional, para o jornal Valor Econômico.
 
	© WWF
Yolanda Kakabadse, presidente do Conselho do WWF Internacional
© WWF
“Meu interesse, minha paixão, é o ser humano, a qualidade de vida, os modelos de desenvolvimento. Quero garantir um futuro para todos nós. Essa é a principal agenda do WWF”
Confira trechos da entrevista de Yolanda Kakabdase, presidente do Conselho do WWF Internacional, para as Páginas Amarelas da revista Veja.

Desafios para um mundo sustentável

Durante o encontro, um dos assuntos debatidos será a posição do WWF em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, um dos produtos resultantes da Rio +20 e que deverá entrar em vigor até 2015. A Rede WWF acompanha esse debate de perto para chamar atenção para a biodiversidade e a sustentabilidade ambiental. A biodiversidade e ecossistemas saudáveis são a base para a produção de alimentos, o abastecimento de água e energia, a geração de empregos e garantem a saúde e bem-estar da sociedade e a estabilidade social. Os ecossistemas florestais, por exemplo, proporcionam abrigo, alimentos, meios de vida, água e segurança para 1,6 bilhões de pessoas, geram 60 milhões de empregos diretos e contribuem US$ 720 bilhões para a economia global.

Segurança alimentar e produção sustentável de alimentos

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura projeta que, se continuarmos adotando os mesmos padrões de consumo e produção, será necessário um aumento de pelo menos 60% na produção agrícola nas próximas décadas. Fatores como as mudanças climáticas, escassez de água e um aumento da erosão do solo poderão limitar o aumento de produção agrícola, e qualquer déficit será sentido prioritariamente pelas populações mais vulneráveis. Parte da demanda crescente de produção agrícola pode ser reduzida por meio de um conjunto de ações que visam melhorar o acesso aos alimentos, reduzir o desperdício e excesso de consumo e, ao mesmo tempo, proteger os recursos naturais e a agrobiodiversidade.

José Goldenberg e Paulo Nogueira Neto receberam prêmio internacional de Mérito em Conservação da Rede WWF

Prêmios foram entregues durante a Conferência Anual da Rede WWF

Pedro Ribeiro do Valle, no centro, recebe o prêmio em nome do professor Paulo Nogueira Neto de Marco Lambertini, diretor-geral do WWF Internacional, e de Yolanda Kakabadse, presidente do conselho do WWF Internacional.


Com intuito de reconhecer e valorizar pessoas que contribuíram nos últimos anos para a causa da conservação ambiental, a Rede WWF concedeu oito prêmios durante sua Conferência Anual. Durante o encontro foi concedido o Prêmio Internacional de Mérito em Conservação da Rede WWF para: José Goldenberg, PhD em Ciências Físicas e membro do Conselho Consultivo do WWF-Brasil; e Paulo Nogueira Neto, PhD em Ciências Biológicas, professor emérito da USP, e presidente emérito do Conselho do WWF-Brasil.

José Roberto Marinho, vice-presidente de Responsabilidade Social Corporativa das Organizações Globo e presidente da Fundação Roberto Marinho, recebeu da Rede WWF o prêmio Internacional Golden Panda. Álvaro de Souza, vice-presidente do conselho do WWF-Brasil, foi reconhecido por sua contribuição individual à Rede WWF com o premio Internacional Member of Honour. A geógrafa e professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro Bertha Koiffmann Becker e a engenheira agrônoma Tatiana Carvalho, ex-funcionária do WWF-Brasil e do Greenpeace, receberam homenagem póstuma da Rede WWF.

Claudio Maretti, líder da Iniciativa Amazônia Viva da Rede WWF, e Rosa Lemos de Sá, Secretária Geral do FunBio (Fundo Brasileiro da Biodiversidade), receberam a distinção WWF-Brasil de Mérito em Conservação. Anderson Oliveira foi homenageado como WWF-Brasil Funcionário Destaque.

Acesso à energia, fontes renováveis e maior eficiência

Atualmente, uma em cada cinco pessoas no planeta não tem acesso à energia elétrica confiável para serviços essenciais. Quase 3 bilhões de pessoas ainda dependem de biomassa local e carvão mineral para cozinhar, enquanto a fumaça tóxica produzida por fogões ineficientes causam até 4 milhões de mortes prematuras de pessoas vivendo em situação de pobreza por ano. Acabar com a pobreza energética é crucial. Ao mesmo tempo, o modo atual de produção e consumo de energia no planeta é insustentável: as fontes de combustíveis fósseis são as principais causas das mudanças climáticas. Além disso, a dependência desses combustíveis deixa países vulneráveis a preços voláteis, levanta questões de segurança nacional e leva a prejuízos para a saúde e infraestrutura causados pela poluição do ar. Podemos fazer uma mudança coletiva para trilhar um caminho rumo à energia sustentável.

Água para pessoas e para o planeta

O Fórum Econômico Mundial (2012) indicou que a indisponibilidade de água é um dos três principais riscos para o crescimento econômico no futuro. Para atingir as necessidades de água e ao mesmo tempo manter os serviços que ecossistemas de água doce fornecem para a saúde, estabilidade e desenvolvimento de comunidades humanas, o consumo deve ser gerenciado de forma integrada em todos os setores. As soluções necessárias para combater este desafio global são conhecidas. O papel que os sistemas naturais desempenham deve ser valorizado de forma consciente, e protegidos por políticas públicas relevantes, por práticas diárias dos governos, do setor privado e também dos cidadãos.

Patrocínio

Agradecemos aos nossos patrocinadores que tornaram possível a realização desta Conferência Anual:

Apoio