Capital Social
Mulheres e meio ambiente

Auxiliadora, Rita, Natividade e Marilza: mulheres da Associação Amor Peixe, em Corumbá (MS), mudaram a própria realidade
© WWF-Brasil / Denise Oliveira
© WWF-Brasil / Denise Oliveira
O amor à vida no Pantanal e ao meio ambiente as uniu em oficinas de curtimento e aproveitamento de subprodutos do pescado (pele, escamas, espinhas e vértebras). A idéia era adquirir novos conhecimentos, ampliar horizontes e transformar a própria realidade.
Marlene Barbosa Mendonça, nascida em família de pescadores artesanais de Coxim, vislumbrou e criou o Projeto Reciclando o Peixe, para conquistar apoio de instituições e realização desses cursos no Mato Grosso do Sul a partir de 2001.
As mulheres foram incentivadas pelo Programa Pantanal para Sempre a formar associações de produção de artesanato para estimular a geração de renda associada à conservação da biodiversidade. Assim em 2002, surge a
Associação Artesanato do Couro do Peixe (Ar Peixe), em Coxim. Em 2003, nasceram a Associação de Curtimento e Confecção de Pele de Peixe (Art Peixe), em Miranda, e a Associação Mulheres Organizadas Reciclando o Peixe (Amor Peixe), em Corumbá.
A partir da formalização dos grupos, o WWF-Brasil, começa a repassar às associações recursos doados pelo Programa Natural Livelihood Resources and Poverty Alleviation (NLRPA/Focos), permitindo a aquisição de equipamentos, matérias-prima e para a realização de cursos em educação ambiental.
Ar Peixe

Marlene Mendonça, presidente da Associação Artesanato do Couro do Peixe (Ar Peixe), em Coxim (MS): pioneira na reciclagem de subprodutos do pescado.
© WWF-Brasil / Denise Oliveira
© WWF-Brasil / Denise Oliveira
“A principal conquista das mulheres foi o desenvolvimento da auto-estima. Conseguimos alcançar outros valores. As mulheres ficaram mais dinâmicas e acreditando que poderiam mudar sua realidade, o que ocorreu. Agora queremos envolver mais ribeirinhas e sempre melhorar a variedade e qualidade dos produtos”, afirma a artesã. Marlene Mendonça comenta que idealizou o projeto porque com a escassez do pescado, as famílias ribeirinhas começaram a se deslocar para as cidades em busca de outras fontes de renda.
“A parceria com o WWF-Brasil é muito interessante pelo apoio e embasamento oferecido na questão ambiental. Nos foi dado suporte e credibilidade. Os pescadores artesanais são acusados injustamente de depredar o meio ambiente. A educação ambiental é muito importante porque a maioria é analfabeta e sem outra qualidifcação além da pesca. Assim, aprendem mais sobre meio ambiente e repassam aos turistas”, comenta.
Amor Peixe

Wânia Alecrim de Lima, ex-presidente da Associação Amor Peixe, ao receber o Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora, em 2006.
© Divulgação
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A associação produz cerca de 20 tipos de produtos artesanais (bolsas, agendas, cadernetas, roupas, chaveiros e outros), todos feitos em couro de peixe e tecido natural, bordados com palha de Buriti. Desde sua criação a Associação já comercializou cerca de 3 mil itens.
Os anos passaram, outras 6 mulheres se juntaram ao grupo, e o trabalho da associação foi reconhecido por meio da indicação de Wânia Alecrim a dois prêmios nacionais: O Prêmio Sebrae Mulher Empreendedora 2006, na categoria cooperativas e associações, e o Prêmio Cláudia 2006, na categoria trabalho social.
Para Wânia, a indicação aos prêmios foi uma oportunidade de tornar o artesanato com couro de peixe mais conhecido nacionalmente. “Eles representam a valorização das habilidades desenvolvidas na administração e gerenciamento de nossos negócios e demonstram que a Amor Peixe está qualificada, treinada e capacitada para receber tecnologias para produção e comercialização de produtos. Espero que nossa história sirva como exemplo de sucesso para outras mulheres”, afirma.
Art Peixe

Janete Corrêa, presidente da Associação Art Peixe, em Miranda (MS): líder na alfabetização de pescadores
© WWF-Brasil / Denise Oliveira
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As aulas ocorrem durante o período de proibição da pesca no Pantanal, chamado defeso, de novembro a março. O meio ambiente é o tema principal e o motor para incentivar os adultos que não tiveram oportunidade de estudar nas escolas tradicionais a se dedicar aos estudos e a aprender a ler e a escrever.
Janete Correa, presidente da Associação Art-Peixe, é monitora do curso e junto com outros professores familiarizados com a realidade dos pescadores, oferecem aulas com conteúdos da educação ambiental utilizando o kit de cadernos de educação ambiental produzidos e fornecidos pelo WWF-Brasil.
Ela comenta que o projeto está despertando o interesse de mais pescadores a cada ano. “Muitos pescadores não tiveram oportunidade de estudar por causa do trabalho. E sabem que não podem perder a oportunidade de aprender a ler e a escrever. Isso faz diferença. Eles se tornam mais independentes e cidadãos ”, afirma.
