Em Santarém (PA), comunidade toma a iniciativa. A natureza agradece.
Surgiu do descontentamento da comunidade de Tapará, localizada na várzea de Santarém, com a poluição de suas águas. Em quase um ano e meio de existência, despertou o interesse de moradores de localidades vizinhas como Ituqui, Aritapera e Urucuritba, que levaram o projeto para suas regiões. A iniciativa, que é fruto de uma parceira entre o WWF Brasil e o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), já contabiliza cerca de 10 toneladas de materiais recicláveis e baterias coletados, que deixaram de ser jogados nos rios.
Integrantes do Conselho Regional de Pesca da Região do Tapará formado por professores, agentes de saúde, catequistas e lideres do da Colônia de pesca Z-20 procuraram, no início 2003, a equipe de Educação Ambiental do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) a fim de buscar uma solução para o principal problema da região: o lixo jogado pelos passageiros de barcos e balsas nos rios e arredores. Os resíduos acabavam voltando para oito comunidades, contaminando águas tão importantes para a alimentação e higiene de seus moradores.Primeiramente, apoiados pelo IPAM, as comunidades organizaram uma grande manifestação em Santana, ponto mais alto da região do Tapará, confluência entre a Várzea e a Terra Grande. Representantes das comunidades, escolas, igrejas e imprensa alertavam os passageiros sobre o problema. Porém, o grupo percebeu que para provocar uma mobilização mais profunda, precisaria de mais informações e de um projeto mais elaborado.
O IPAM e o WWF Brasil, que já atuavam na região, receberam esta demanda e estabeleceram uma parceria para juntos, capacitar educadores ambientais nas comunidades, ajudando-os a se organizar e formar agentes multiplicadores. Esses educadores trabalham atualmente com quatro temas: água, saúde, resíduos sólidos e planejamento e avaliação.
A coleta seletiva e a reciclagem dos resíduos foi uma das soluções apontadas para o problema do lixo. A comunidade foi capacitada pelo IPAM para lidar com a coleta e comercialização dos recicláveis de maneira adequada e decidiu que os recursos gerados pela reciclagem seriam destinados à compra de materiais escolares para as escolas locais, beneficiando a todos.
Após um ano e meio de trabalho, Águas limpas, Comunidades Saudáveis despertou o interesse de localidades vizinhas como Ituqui, Aritapera e Urucuritiba, que se sentiram motivadas a cuidar de suas águas e se integraram ao projeto. Atualmente, os moradores de Tapará tornaram-se facilitadores, pois repassam sua experiência a essas comunidades. Como resultado, cerca de 10 toneladas de recicláveis e baterias foram coletadas e vendidas, 3 920 famílias em 41 comunidades (um total de 19 600 pessoas) são atendidas e as águas da região de Tapará estão visivelmente mais limpas.
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