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<b>Mariana Ramos</b> <BR> 
É jornalista formada pelo Uniceub, em Brasília. Desde 2000, atuou em diferentes setores, trabalhando em organizações não governamentais ambientais, e também nos setores público e privado. É assessora de comunicação do WWF-Brasil.
Mariana Ramos
É jornalista formada pelo Uniceub, em Brasília. Desde 2000, atuou em diferentes setores, trabalhando em organizações não governamentais ambientais, e também nos setores público e privado. É assessora de comunicação do WWF-Brasil.
© WWF-Brasil


Karen Suassuna
Karen Suassuna
É engenheira agrônoma formada pela Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ/USP) e tem mestrado em gestão ambiental pela Universidade de Oxford, no Reino Unido. Trabalha na área ambiental há oito anos. Há dois anos é analista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil.
© WWF-Brasil



<b>Mauro José Capóssoli Armelin</b> <P>
É engenheiro florestal pela Universidade de São Paulo e fez mestrado em Ciências Florestais na Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ/USP). Coordena o programa de Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil e atua na área ambiental há mais de dez anos.
Mauro José Capóssoli Armelin
É engenheiro florestal pela Universidade de São Paulo e fez mestrado em Ciências Florestais na Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (ESALQ/USP). Coordena o programa de Desenvolvimento Sustentável do WWF-Brasil e atua na área ambiental há mais de dez anos.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil



Blog

Blog da COP 2007

Confira os últimos acontecimento da COP 2007, com relatos e notícias exclusivas da nossa jornalista Mariana Ramos e dos especialistas Mauro José Armelin e Karen Suassuna, que estão em Bali acompanhando tudo.



Reunião em Bali termina em acordo que não empolga

Convenção de Clima da ONU em Bali
Convenção de Clima da ONU em Bali
© WWF/Saiful Siagian
15 Dec 2007

Por Mariana Ramos

A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas terminou hoje em Bali sem muito conteúdo a apresentar. Depois de longas horas de discussão, os Estados Unidos finalmente aceitaram o acordo.

A reunião durou um dia a mais que o previsto e o clima era de muita tensão, pois a plenária foi suspensa várias vezes para que os ministros pudessem se reunir e negociar separadamente acordos que fossem bons para todos.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, teve de vir à reunião para negociar com os países. Depois de várias horas de discussão, a assembléia foi retomada e o secretário fez um discurso de "inspiração" para os países presentes, pedindo que se lembrassem de como havia sido difícil chegar àquele acordo e que todos se lembrassem da importância do clima para o planeta.

Ficou decidido então que nos próximos dois anos, os países industrializados terão de acordar sobre cortes drásticos nas reduções das emissões dos gases de efeito estufa e como financiar e apoiar a transferência de tecnologia e a adaptação à mudanças climáticas. A União Européia e algumas economias emergentes que estão liderando este processo como Brasil, China e África do Sul terão de propor um plano de trabalho para os dois anos de negociações para o próximo período do compromisso do Protocolo de Quioto, pós-2012.

Vamos esperar que façam um bom trabalho para compensar a ausência desses tópicos na convenção de clima deste ano.



Quem tem medo de sexta-feira 14 na COP13???

Mariana, Mauro e Cai Tao na Plenária da ONU, já um dia depois que as discussões deveriam ter terminado
Mariana, Mauro e Cai Tao na Plenária da ONU, já um dia depois que as discussões deveriam ter terminado
© WWF-Brasil
15 Dec 2007
Por Mauro Armelin

Sexta, o dia que não acabou da COP13. Os delegados não conseguiram chegar ao consenso em torno do tão falado “mapa do caminho” (que de tão importante deveria ser chamado de “mapa da mina”). Afinal, fazer um mapa onde os caminhos não levam a nada, não faz o menor sentido.

O que alguns países queriam era produzir um texto com os passos para se chegar ao novo regime após 2012 sem data para o final das discussões e muito menos com metas de redução que deveriam perseguir. Mas por que isso é tão importante? Para deixar claro para todo o mundo desde já quando e sob que condições mínimas teremos um novo acordo para depois da primeira etapa de Kyoto.

Sim, o balanço é positivo, mas ainda estamos correndo riscos. Conseguimos incluir florestas no como tema de discussão da convenção e, quem, sabe no Protocolo. O governo brasileiro apresentou uma metodologia simples de quantificação das emissões baseado no sistema de monitoramento de desmatamento. Pelo menos duas coisas que sabemos fazer melhor do que ninguém no mundo é DESMATAR e MONITORAR o estrago.

Sempre vale lembrar que o primeiro mandato do atual presidente da República foi responsável por nada menos que 85.000 Km2, campeão disparado do desmatamento. Porém, o estrago começou a ser consertado com uma reação no “segundo tempo” (ou mandato), em muito ajudada pelas condições do mercado das commodities agrícolas. Por isso está conseguindo virar o jogo e já reduziu os índices em cerca de 50%. Vamos agora torcer para que a redução continue com o mesmo impulso e que as tão desejadas metas (claras e verificáveis) sejam estabelecidas, como prometeram aqui nossos representantes do Ministério do Meio Ambiente.

No mais, sobre os riscos que coloquei acima, estamos agora (eu, Mariana Ramos e nosso colega do WWF-China Cai Tao) sentados no chão da plenária principal, onde esperançosamente nos instalamos para sua reabertura. O presidente da Convenção, ministro do Meio Ambiente da Indonésia, após um rápido discurso, passou a palavra para os representantes do governo da Índia, que rapidamente se opuseram a redação de um parágrafo. Mas, o pior ainda estava por vir. A CHINA pediu para falar e jogou uma bomba: se opôs não a um parágrafo ou outro, mas simplesmente anunciou que o documento que foi previamente acordado é INACEITÁVEL!!!!!!!

Nesse meio tempo nosso colega Cai Tao faz uma piada sobre a situação, coisa que pode ser traduzida da seguinte forma: “.....pra vocês verem o quanto nós, chineses, somos legais. Estamos dando pra todos aqui a oportunidade de um intervalo para ir ao banheiro e tomar café! Sempre estamos pensando nas boas condições de trabalho....”.

Bom, estamos ainda aqui esperando o desfecho, sentados no chão e imaginando como será boa a volta pra casa.




"Lesmas" pedem a ministros que se movam mais rápido nas negociações em Bali

"Lesmas" pedem que governos se movam rapidamente em Bali
"Lesmas" pedem que governos se movam rapidamente em Bali
© Jimmy Syahirsyah

13 Dez 2007

Por Mariana Ramos

Quando os ministros chegaram a Bali ontem, foram surpreendidos por uma manifestação da Rede WWF. Dois voluntários fantasiaram-se de lesmas e conduziram alguns ministros para dentro do centro de convenções. Os cartazes diziam: “não se movam a passos de lesma.”

O dia foi muito movimentado, com muitos seguranças atrapalhando o caminho. O Brasil lançou a proposta detalhada do fundo voluntário de combate ao desmatamento. Apesar de a maioria das pessoas na platéia do evento paralelo organizado pelo governo brasileiro serem do nosso país, aparentemente as pessoas de outros países também gostaram da proposta.

O WWF-Brasil defende o fundo voluntário desde que aliado o mercado de carbono não seja excluído, pois alguns projetos podem se encaixar melhor em uma ou outra estratégia de combate ao desmatamento.

Faltam dois dias para acabar a conferência e ainda não tenho um desenho claro de como as coisas vão ficar. Parece que teremos um resultado satisfatório, mas não ideal. Vamos ver...



Manifestação em Bali chamou atenção sobre o problema das mudançãs climáticas para os pingüins
Manifestação em Bali chamou atenção sobre o problema das mudançãs climáticas para os pingüins
© WWF / Saipul Siagian

Pingüins sofrem com aquecimento global em Bali

11 Dec 2007

Por Mariana Ramos

Hoje foi a vez de os pingüins tomarem conta da praça principal do território da ONU em Bali. A Rede WWF lançou um relatório que aponta quatro espécies de pingüins ameaçadas pelo aquecimento global.

Logo depois da coletiva de imprensa, um termômetro de dez metros de altura do WWF-Brasil foi inflado e duas pessoas vestidas de pingüins representavam as espécies que estão sofrendo com o calor na Antártica.

Debaixo de um calor de cerca de 30ºC, voluntários dançavam ao som de “Hot hot hot”, de Buster Point Dexter e distribuíram leques do WWF. A manifestação animou a todos os que passavam pela praça durante a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas.

Acho importante ter manifestações deste tipo, com informação e mensagens claras, para animar um pouco os negociadores. Tudo dentro dos plenários é muito formal.

Hoje pude acompanhar um pouco as discussões sobre florestas. Aparentemente os países devem chegar logo a um acordo. Por enquanto, Índia está bloqueando as negociações neste ponto, mas sinto que, pelo andar da carruagem, o texto final com acordo comum deverá acontecer ainda esta noite.

Mauro e Karen têm andado muito ocupados aqui seguindo das negociações. Mauro acompanha todos os assuntos relativos a florestas e Karen segue as negociações do G 77 (grupo dos países em desenvolvimento, do qual o Brasil faz parte) e do Ad Hoc Working Group (AWG), que discute os assuntos relativos ao Protocolo de Quioto.

Por isso a contribuição efetiva deles para o blog tem sido escassa, mas são eles os responsáveis por me manter informada e possibilitar esses posts!



A expedição propiciou a aquisição de informações essenciais para subsidiar a elaboração do plano de manejo para o Parque Nacional do Juruena.
O Parque Nacional Juruena é uma das unidades de conservação apoiadas pelo Arpa
© WWF-Brasil / Adriano GAMBARINI

Unidades de conservação do Arpa contribuem com o clima

10 dez 2007

Por Mariana Ramos

Numa sala com mais de cem pessoas atentas ao evento da Rede WWF: um caminho de baixas emissões para economias emergentes contribuirem com o desenvolvimento sustentável, foram anunciados hoje alguns dos números mais esperados e mais bem-vindos desta Convenção: os dados preliminares do estudo sobre unidades de conservação do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e sua contribuição para a redução de emissões de carbono.

Os resultados preliminares indicam que as unidades de conservação ligadas ao Arpa podem ajudar a reduzir em 1,8 bilhão de toneladas as emissões de carbono na atmosfera. até 2050. Ainda segundo o estudo, a Amazônia armazena 47 bilhões de toneladas de carbono e as unidades de conservação apoiadas pelo Arpa contém 4,5 bilhões de toneladas deste total.

O assunto pode parecer difícil no início, mas na verdade é bastante simples. Unidades de conservação são parques nacionais e reservas florestais criados com o objetivo de conversar a paisagem local e impedir o desmatamento. As árvores são feitas de carbono, ou seja, elas estocam carbono.

O carbono quando lançado na atmosfera se junta ao oxigênio existente no ar e forma o CO2, um dos gases mais responsáveis pelo efeito estufa. Por isso fala-se que a principal contribuição do Brasil para o aquecimento global é o desmatamento, pois quando as árvores se decompõem ou são queimadas, o carbono contido nelas é liberado na atmosfera.

Os assuntos por aqui são todos assim: cifrados, porém simples de entender quando se consegue alguém para explicar desde o início! Como estou acompanhando esta área há um ano e meio, até já consigo explicar para os outros!!!

P.S.: O estudo é uma parceria entre o WWF-Brasil, o Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia (IPAM) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e conta com o apoio do Woods Hole Research Centre, em Massachusetts (EUA).



Capoeira na luta contra as mudanças climáticas

Luta brasileira representa o combate às mudanças climáticas
Luta brasileira representa o combate às mudanças climáticas
© WWF/Saipul Siagian

8 Dez 2007

Por Mariana Ramos

A Rede WWF organizou uma manifestação hoje no território da ONU em Bali usando capoeira para simbolizar a luta contra as mudanças climáticas. Os capoeiristas, balineses treinados por um mestre brasileiros, dançaram e estouraram balões pretos com CO2 escrito em branco.

Para mim foi um surpresa descobrir que os lutadores não eram brasileiros. Eles não usam berimbau e sim tambores para dançar. Acho que foi um dos dias mais quentes e ensolarados da semana.

O evento ocorreu às 11h na praça central do complexo principal da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Cerca de 70 fotógrafos e cinegrafistas disputaram espaço em frente à manifestação para registrar o ato.

Além de entoar músicas típicas de capoeira, os participantes gritavam “queremos que você lute com as mudanças climáticas” em vários idiomas: inglês, português, espanhol, bahasa, chinês alemão e francês.

Eu contribuí com o português e o espanhol. Foi muito empolgante e acho que fez a equipe se comunicação se sentir mais unida de alguma maneira.

É como finalmente perceber que estamos aqui não para comunicar para o nosso país ou para a Rede, mas sim para tentar fazer a diferença e lutar contra as mudanças climáticas!




Perspectiva chinesa da Conferência de Clima

Cai Tao é comunicador do WWF-China e está cobrindo a Conferência de Clima
Cai Tao é comunicador do WWF-China e virou notícia. Na foto, é entrevistado para a Metro TV
© WWF-China

07 Dez 2008

Por Cai Tao


Oi para todos! Sou Comunicador do WWF-China e estou muito feliz em poder escrever para meus amigos brasileiros.

Suponho que vocês já saibam que a Rede WWF está participando Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, em Bali, na Indonésia. Como comunicador com foco em eficiência energética, educação ambiental e mudanças climáticas, sou realmente um novato quando o assunto é negociações internacionais. Logo, todo vez que me encontro em uma reunião muito técnica, tento seguir a discussão, mas acabo sempre me perdendo.

Meu trabalho aqui é traduzir todo o material para a imprensa em mandarim e acompanhar os jornalistas chineses. Em poucas palavras, procuro fazer com que os chineses entendam nosso papel aqui nas negociações e o que defendemos. Bali é fantástico, mas as atividades são muitas e o tempo curto. Os negociadores e os observadores chegam a Bali não para aproveitar suas férias, mas para sentar, discutir e procurar um acordo comum no combate às mudanças climáticas. Todos desempenham um papel e comigo não é diferente.

Temos uma equipe de comunicação multinacional e multicultural que trabalha harmoniosamente para garantir a divulgação das mensagens da Rede WWF aos quatro cantos do mundo. É a primeira vez que temos materiais para a imprensa chinesa em mandarim. Acredito que tenha sido uma ótima decisão, já que muitos jornalistas chineses elogiaram a iniciativa vendo com muita alegria nosso material em sua língua materna. Suponho que a mídia brasileira também está bem feliz, pois a Mariana está fazendo a mesma coisa, mas com foco nos jornalistas brasileiros.

Como o maior país em desenvolvimento, a China está se tornando peça importante nas negociações internacionais. O mundo tem grandes expectativas em relação à China. Mas, de uma perspectiva muito pessoal, a China, como o Brasil, ainda é um país em desenvolvimento e não deveria assumir muitas responsabilidades no momento, pois o aquecimento global é majoritariamente resultado das emissões históricas dos países industrializados.

Entretanto, a China fez muito para aumentar sua eficiência energética e está disposta a contribuir mais para combater as mudanças climáticas. Não somente para a China, mas também para o Brasil e todos os principais países em desenvolvimento. É importante conseguir tecnologias novas, efetivas e baratas para garantir que essas economias cresçam sem emitir muitos gases de efeito estufa.




Teste seus conhecimentos sobre a Conferência de Clima

Markus Nierdermair, Analista em Mudanças  Climáticas e Energia do WWF-Áustria
Markus Nierdermair, Analista em Mudanças Climáticas e Energia do WWF-Áustria
© WWF-Brasil
07 Dec 2007

Por Markus Nierdermair

Às 8 horas da manhã em Bali quando os representantes da Rede WWF discutiam táticas de lobby para o final de semana e a semana que vem, um pequeno terremoto sacudiu o prédio principal das Reuniões Internacionais de Clima.

Acordado desde 6h30 da manhã, o terremoto foi uma lembrança de que estava na hora de deixar o prédio e preparar a primeira rodada de perguntas. Apresento a vocês as 7 perguntas para a primeira semana de negociações:

1. Porque os países em desenvolvimento aqui em Bali sempre afirmam que os países ricos precisam liderar os esforços internacionais de redução das emissões?
a) Porque os países ricos são responsáveis por cerca de 90% de todas as emissões lançadas na atmosfera desde 1850
b) Porque são preguiçosos e não querem fazer nada
c) Porque precisam muito dinheiro para reduzir suas próprias emissões de CO2

2. O líder das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Yvo de Bôer, usou uma das seguintes metáforas para descrever a seqüência de reuniões internacionais de clima necessárias até atingirmos um acordo para o Pós-2012. Qual delas é a correta?
a) Bali é o urso polar, Poznan, o pingüim, e Copenhagen, a tartaruga feliz
b) Bali é como rugby, Poznan como críquete e Copenhagen como mini-golf
c) Bali é o primeiro encontro amoroso, Poznan o casamento e Copenhagen o filho

3. Quais países mais receberam o “Fóssil do Dia”, prêmio dado pela comunidade de ONGs aos países que mais atrapalharam as negociações?
a) Austrália, Japão e Arábia Saudita
b) Suíça, Áustria e Alemanha
c) China, Índia e Indonésia

4. A destruição das florestas é responsável por cerca de 20% do total das emissões atuais de gases de efeito estufa. Quantos campos de futebol em floresta perdemos esta semana?
a) 20.000
b) 200.000
c) 20.000.000

5. Qual a principal causa de destruição das florestas tropicais?
a) Incêndios naturais
b) Extração ilegal de madeira e produção insustentável de produtos agrícolas
c) Roedores

6. Quem deseja negociar em Bali o “uso de combustíveis fósseis sem prejudicar o meio ambiente”?
a) Arábia Saudita
b) O líder das Nações Unidas para Mudanças Climáticas – Yvo de Boer
c) Os Estados Unidos

7. O que acontecerá se a segunda semana de negociações na Conferência de Bali for tão mal-sucedida quanto a primeira?
a) Os níveis do mar irão aumentar e os habitantes das pequenas ilhas-nações se mudarão para outro planeta
b) Arnold Schwarzenegger expulsará de Bali a equipe de negociação do Bush
c) WWF desistirá no meio da semana e tentará outra vez

Respostas corretas:
1a, 2c, 3a, 4b, 5b, 6b, 7b

Resultados e Recomendações:
Nenhuma resposta certa: Você será muito bem vindo na delegação do Canadá
Várias perguntas certas: Visite o site do WWF-Brasil para ter notícias recentes sobre a Conferência
Todas as perguntas certas: Você sabe tudo sobre as Mudanças Climáticas, visite www.wwf.org.br/participe para saber como você pode fazer a diferença.

Markus é analista em Mudanças Climáticas e Energia no WWF-Áustria

Tradução: WWF-Brasil


Na mesa para apresentar o estudo, o coordenador de Comunicação de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Martin Hiller, o cientista responsável pelo estudo, Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Centre em Massachusetts (EUA), a analista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, Karen Suassuna, e o diretor do Programa Global de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Hans Verolme.
Na mesa para apresentar o estudo, o coordenador de Comunicação de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Martin Hiller, o cientista responsável pelo estudo, Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Centre em Massachusetts (EUA), a analista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, Karen Suassuna, e o diretor do Programa Global de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Hans Verolme.
© Cai Tao / WWF-China

Amazônia no palco das discussões na Conferência de Clima

06 Dez 2007

Por Mariana Ramos

Hoje foi o grande dia para a Amazônia na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas. Pelo menos para nós da Rede WWF.

Lançamos o relatório Os ciclos viciosos da Amazônia: estiagem e queimadas na floresta estufa, que revela as conseqüências dramáticas para o clima global e local bem como o impacto na vida das pessoas que moram na região Amazônica.

Em uma coletiva de imprensa com cerca de cem jornalistas, o cientista responsável pelo estudo, Daniel Nepstad, do Woods Hole Research Centre em Massachusetts (EUA), a analista em Mudanças Climáticas do WWF-Brasil, Karen Suassuna, e o diretor do Programa Global de Mudanças Climáticas da Rede WWF, Hans Verolme, explicaram o estudo e responderam às perguntas dos profissionais da imprensa.

Basicamente o relatório fala que o desmatamento, causado pela extração predatória de madeira e expansão da fronteira agropecuária, quando aliado às mudanças climáticas previstas para a região, podem destruir a Amazônia ou pelo menos prejudicar gravemente a cobertura vegetal de até 60% da floresta até o ano de 2030.

O mais interessante é que todas as reuniões ocorrem ao mesmo tempo. Enquanto os negociadores tratam das questões sobre a Conferência, há lançamentos de relatórios, como o da rede WWF, eventos paralelos sobre assuntos específicos como Mecanismos de Desenvolvimento Limpo ou transferência de tecnologia.

O território da ONU aqui em Bali é muito espalhado e tem um hotel, o Grand Hyatt, como estrutura principal para as negociações. Para chegar onde ocorrem os eventos paralelos é preciso pegar uma bicicleta ou um ônibus. O sistema de transporte dentro da ONU é gratuito, mas leva-se muito tempo para chegar de um lugar ao outro.

Dessa maneira, acompanhar tudo torna-se muito difícil, por isso a Rede WWF se reúne duas vezes por dia para nivelar informações sobre os temas e as negociações. A equipe de comunicação se reúne depois das reuniões técnicas para decidir o que será comunicado e qual a melhor forma de fazê-lo.

Temos trabalhado muito. Normalmente consigo dormir apenas quatro ou cinco horas por noite, pois no Brasil são 10 horas a menos e temos muitas informações para trocar com o escritório em Brasília. Espero que o trabalho valha a pena!


Muitas atividades no primeiro dia da Conferência de Clima

Voluntários seguraram banner com mensagem da Rede WWF na entrada da Convenção
Voluntários seguraram banner com mensagem da Rede WWF na entrada da Convenção
© Saiful Siagian / WWF
Voluntários entregaram aos delegados papéis com o posicionamento da Rede WWF sobre a reunião em Bali
Voluntários entregaram aos delegados papéis com o posicionamento da Rede WWF sobre a reunião em Bali
© Saiful Siagian / WWF

03 Dez 2007

Por Mariana Ramos e
Karen Suassuna

O dia hoje começou cedo, com uma reunião de equipe às 7h30. Eu fui dormir às 3h na noite anterior. Mas o dia foi tão cheio que não houve tempo pra sentir sono, só cansaço e confusão mental. Assim é o jet leg causado por uma viagem tão longa, você fica bem por uns três dias e depois o cansaço bate novamente.

Ao chegar no complexo da ONU havia alguns voluntários segurando banners do WWF e outros entregando o posicionamento da rede WWF para esta COP aos negociadores.

Havia uma longa fila para pegar a credencial e se habilitar a entrar no território da ONU. Busquei a minha credencial no sábado. Mas o Mauro, que chegou ontem, ficou na fila esperando um bom tempo.

Acho que a chuvinha que estava caindo quando chegamos ajudou a refrescá-lo um pouco, pois aqui está muito quente. Pena que ele chegou um pouco molhado na Conferência!!!!!

As negociações começaram hoje, com a abertura oficial da Conferência, que reuniu os representantes de todos os países. Houve muitas coletivas de imprensa e reuniões paralelas e gente andando por todos os corredores. Daqui pra frente os trabalhos só tendem a ficar cada dia mais intensos.

Ontem a Karen participou da reunião da Climate Action Network (CAN) e já com muita discussão, sobre florestas, sobre a arquitetura para o acordo pós-2012. Algumas organizações, como os Amigos da Terra Internacional, diferentemente do WWF, acreditam que ainda não é o momento dos países em desenvolvimento colaborarem para a redução dos gases do efeito estufa e não concordam de nenhuma maneira com a menção a mercados como um dos instrumentos para a redução do desmatamento. As discussões foram quentes.

E a temperatura por aqui tende a aumentar assim como a do planeta se não tomarmos uma ação urgentemente!




Começam as reuniões preparatórias para a Convenção da ONU

Pandas se reúnem para definir estratégias para as negociações em Bali. Nesta sala estavam pessoas de 17 nacionalidades.
Pandas se reúnem para definir estratégias para as negociações em Bali. Nesta sala estavam pessoas de 17 nacionalidades.
© Mariana Ramos
Últimos preparativos no complexo da ONU para receber os negociadores.
Últimos preparativos no complexo da ONU para receber os negociadores.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil
02 Dez 2007
Por Mariana Ramos

Ontem, a primeira tarefa do dia foi buscar minha credencial para entrar no território das Nações Unidas e fazer um reconhecimento do local.

Há dois grandes plenários e algumas salas pequenas onde acontecerão as reuniões menores. A decoração é impecável, bem no estilo asiático.

As pessoas estão falando por aqui que há cerca de mil jornalistas credenciados para cobrir o evento. Mas só é possível ter noção do que é isso quando a gente entra no complexo destinado à mídia.

Os jornalistas vão ficar numa estrutura especial perto de onde acontecem as reuniões. Há cabines exclusivas para as maiores emissoras de rádio e TV do planeta como Reuters, BBC, Aljazira e tantas outras.

Na parte da tarde, começaram as reuniões oficiais da Rede WWF para definir as estratégias da organização e alinhar informações que cada um traz de seu país.

O Brasil é sempre alvo de interesse por ser o quarto maior emissor de gases do efeito estufa e temos bastante espaço para debater as posições brasileiras e como lidar com os assuntos relacionados ao nosso país.

China, Índia, Japão, União Européia e, claro, Estados Unidos, também entram na ala dos que merecem atenção especial porque, assim como o Brasil, seus posicionamentos podem ajudar ou atrapalhar muito as negociações.

O time panda se divide mais ou menos em áreas de especialidade como desmatamento, transferência de tecnologia, adaptação e Mecanismos de Desenvolvimento Limpo.

Em sua maioria, essas pessoas estão tratando destes assuntos há anos e muitas vezes é difícil seguir as discussões quando há um ponto polêmico, pois elas se tornam extremamente técnicas até mesmo para mim, que estou lidando com o tema há mais de um ano.

A equipe de comunicação, da qual faço parte, se reúne entre os encontros técnicos, ou seja, na hora do almoço, do café-da-manhã, etc.

Amanhã começa oficialmente a reunião da ONU. Queremos que o resultado desta conferência seja um plano de trabalho claro para chegar a um acordo em 2009 sobre o próximo período de compromisso, que vai de 2012 a 2020. E isso vai requerer muito esforço!


Conferência de Clima: Jantar exótico e início dos trabalhos

O jardim do nosso hotel é muito parecido com o que se vê na cidade. Muitas estátuas e fontes.
O jardim do nosso hotel é muito parecido com o que se vê na cidade. Muitas estátuas e fontes.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil
01 Dez 2007

Por Mariana Ramos

Ontem foi dia de reencontrar pessoas e conhecer gente nova. Isso é muito bom. Aparentemente a delegação do WWF de mudanças climáticas já está toda aqui. Também foi dia de experimentar a comida local das ruas de Bali. Haja pimenta!!!

Conheci várias pessoas que só tinha contato por email. Isso é muito engraçado. Ver as pessoas que você já tem até uma certa intimidade, mas ainda não conhecia.

Um pequeno grupo, eu, Karen, Soh Koon (do WWF-Internacional), Diane (do WWF-Fiji) e Kitt (do WWF-Reino Unido) fomos nos aventurar nas ruas de Bali para comer. Soh Koon fala Bahasa, o idioma local, e foi nossa intérprete e anfitriã. Comemos numa barraquinha rua.

O jantar foi uma experiência interessante. O menu era frango frito, arroz frito e bolinhos de soja. Tudo com muita pimenta, claro. E num calor de 30ºC. Pra refrescar, pepinos e repolho cru.

Eu comia e suava ao mesmo tempo. Não estou acostumada com a pimenta e as pessoas riam de mim. Acho que tomei uns dois litros de água durante o jantar.

Na barraquinha não tinha faca, eles partem a comida com a mão e usam o garfo para empurrar o arroz na colher. Também tinha umas tigelinhas com água para lavar as mãos durante a refeição.

Acho que já estou me adaptando ao fuso, embora ainda sinta muito sono à tarde e acorde no meio da noite às vezes.

Agora começam as intermináveis reuniões do WWF e o trabalho propriamente dito. Minha lista de tarefas é enorme.

Cruzem os dedos para que a gente consiga terminar a Conferência com um desenho de como será o acordo a ser fechado em 2009! Aí todo esse trabalho terá valido a pena!


Conferência de Clima: o dia depois da viagem

Karen e Mariana no restaurante do hotel. Estávamos cansadas, mas comer de frente pro mar ajuda...
Karen e Mariana no restaurante do hotel. Estávamos cansadas, mas comer de frente pro mar ajuda...
© WWF-Brasil
Um visitante inesperado posou para foto enquanto tomávamos café-da-manhã.
Um visitante inesperado posou para foto enquanto tomávamos café-da-manhã.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil

29 Nov 2007
Por Mariana Ramos

 O Hotel é lindo, a praia é maravilhosa, a comida é apimentada, mas muito gostosa. Mas tudo isso só é super legal quando ainda não bate o cansaço.

Eu e Karen acordamos cansadas. Parecia que tínhamos passado por um moedor de carne. A visão ainda está um pouco embaçada. Não sei se é dia ou noite.  A luz me diz que é dia por aqui e o corpo informa que é noite no Brasil.

Descemos para o café-da-manhã e demos uma voltinha de reconhecimento do local. O Hotel é cheio de estátuas de Ganesh e outros deuses hindus. Todos os locais são adornados com estilo hindu. Muito bonito. Fomos à praia um pouquinho, tomamos um banho de mar e depois já era hora do almoço. O tempo passa rápido quando se está cansada.

Depois do almoço, o cansaço. Estou agora lutando contra o sono. São três da tarde aqui e no Brasil cinco da manhã.

Vou descansar um pouco antes de terminar de trabalhar mais. Espero que Morfeu não me traia esta noite e me deixe sem sono por causa deste cochilo da tarde.




Conferência de Clima: última parte da viagem - novidades e adaptações

Aeroporto de Jacarta, vista de dentro do avião.
Aeroporto de Jacarta, vista de dentro do avião.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil
Karen Suassuna e Mariana Ramos partem finalmente de Jacarta para Bali: bagagem nas costas e caras de cansaço.
Karen Suassuna e Mariana Ramos partem finalmente de Jacarta para Bali: bagagem nas costas e caras de cansaço.
© WWF-Brasil
28  Nov 2007
Por  Karen Suassuna

Nossa! Que viagem!!! Foram muitas, mas muitas horas... até que comparando com uma anterior para estes lados do mundo, foi boa!

Fico com uma sensação estranha... meio grog! Cansadíssima, mas sem sono. São 11 horas de diferença no tempo e meio mundo na diferença cultural! Enquanto são 14:20 no Brasil, meu relógio já marca 00:20 do dia 29 de novembro!

As coisas, no mais amplo sentido desta palavra, por aqui são cheias de detalhes e cores e recortes... Começando pela alimentação, passando pela língua e chegando até o vestuário! Roupas coloridíssimas e cheias de detalhes, esculturas elaboradas de madeira por todos os lados nos aeroportos, estátuas de pedras com cavalos, deuses e dragões enfeitando as praças. É belo, mas muito diferente.

Mariana teve seu primeiro choque hoje! Eu adoro pimenta, estávamos comendo uma massinha, ainda no avião, que como tudo por aqui vem acompanhada a parte com pimenta (chilli), daquelas vermelhas e verdes. Perguntei a ela se estava achando muito apimentado. Ela estava com os olhos em prantos...

- Sim, eu gosto de pimenta, mas esta massa está forte!
- Quanto do sache de pimenta você colocou, Mariana?
- Sachê? Que sachê?

Rimos muito.... ela nem sequer havia adicionado o sachêzinho de pimenta!!!
Os próximos dias irão requerer muita adaptação!!!

Tanta adaptação que ainda não foi possível finalizar a revisão do relatório. Consegui progredir na revisão, mas a altura, o fuso e o sobe e desce simplesmente não permitem a concentração! Escolha do título mais adequado ao português, revisão de termos técnicos... quanta concentração é necessária... Só restou uma saída: intercalei a revisão com uma biografia muito interessante, recém lançada, do João Saldanha.

Os primeiros capítulos fazem uma volta à história do início do século passado, no Rio Grande do Sul, onde João nasceu. Seu pai era maragato... lutava pelos pampas de lenço vermelho! Imagino meus antepassados gaúchos... por aqueles pampas todos de bombacha, chimarrão e muita valentia. Foi no Sul que se forjou a paixão deste gaúcho, comunista do Partidão, pela política.

Agora estou no ponto em se desenvolve sua outra paixão, esta durante a adolescência, nas praias do Rio de Janeiro: pelo futebol! Morador de
Copacabana, jogava pelada todos os dias na areia!

Bom, vou tentar pregar o olho! Dormir uma noite toda, durante a noite e acordar amanhã cedo, ajuda no fuso... ou como dizem em inglês: jet leg!

Um beijo e um queijo para o filhote e abraços aos leitores!



Conferência de Clima: A primeira parte da viagem para Bali

Karen Suassuna e o comissário de bordo José Felix conversam sobre clima, viagens e o Brasil.
Karen Suassuna e o comissário de bordo José Felix conversam sobre clima, viagens e o Brasil.
© Mariana Ramos / WWF-Brasil
27 Nov 2007

Por Mariana Ramos

Foram quase 24 horas de viagem até aqui. Chegamos agora em Dubai, nos Emirados Árabes. Conseguimos nos refrescar graças a lencinhos umedecidos que compramos no freeshop aqui. A primeira parte da viagem foi tranqüila, embora minha mala tenha chegado em São Paulo sem o pé. Ou seja, daqui pra frente, carregarei uma mala que não fica de pé. Mas tudo bem. Pelo menos não perdemos o vôo.

O vôo pela Emirates Airlines foi ótimo. Cadeiras espaçosas, poucas pessoas no avião. Karen e eu conseguimos nos sentar em uma fila de três cadeiras para cada uma, o que nos proporcionou um grande conforto. É nesta hora que a gente descobre a diferença que este tipo de sorte faz. A comida foi deliciosa, filá mignon com bata e vegetis cozidos. Bem diferente dos sanduíches borrachudos ou barrinhas de cereal a que estamos acostumadas quando fazemos vôos domésticos. Havia dois comissários de bordo brasileiros e acabamos conversando bastante com o comissário José Felix, do Maranhão, que nos contou um pouco como é trabalhar para uma companhia aérea de um país tão diferente do nosso.

Karen revisou uma parte do relatório que será lançado dia 6 de dezembro na COP. O objetivo é ver se a tradução está correta em português, já que há muitos termos técnicos e tudo foi escrito em inglês. Assim que chegarmos em Bali vou passar um email com as observações dela para o WWF-Alemanha, que está responsável pela diagramação do estudo.

Ao chegar no aeroporto de Dubai é que começamos a perceber que estamos realmente do outro lado do mundo, em contato com uma cultura que somente vemos na televisão. Muitos homens vestem os trajes brancos com panos de diferentes cores na cabeça, uns usam xadrez, outros preto e alguns branco. A maioria das mulheres anda de preto com véu na cabeça e algumas com um véu também no rosto, onde se vê apenas os olhos. As pernas e pés são cobertos por uma espécie de meia calça também negra.

Ainda temos mais umas quatro horas aqui no aeroporto até o nosso vôo sair para Jacarta, com escala em Cingapura e depois vamos pegar outro vôo até Bali. Agora já estamos seis horas na frente no fuso horário. Em breve, serão 11 horas a mais.

Vou fazer como algumas pessoas ao meu lado e descansar um pouco.

Até o próximo post.


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