Onça-pintada

A onça-pintada é o maior felino das américas. Espécie emblemática das matas brasileiras, a onça é importante para as ações de conservção.
Pelo fato de estar no topo da cadeia alimentar e necessitar de grandes áreas preservadas para sobreviver, esse animal o mesmo tempo temido e admirado que habita o imaginário das pessoas é um indicador de qualidade ambiental. A ocorrência desses felinos em uma região indica que ele ainda oferece boas condições que permitam a sua sobevivência.

As crescentes alterações ambientais provocadas pelo homem, assim como o desmatamento e a caça às presas silvestres e às próprias onças são as principais causas da diminuição da população de onças no Brasil.
Reduzir essas ameaças é fundamental para garantir a sobrevivência da onça-pintada e a integridade dos ecossisemas.
 / ©: Adriano Gambarini
Onça Pantaneira
© Adriano Gambarini

Conheça a onça-pintada

 / ©: A. Camboni / R. Isotti / Homo Ambiens
Onça-pintada
© A. Camboni / R. Isotti / Homo Ambiens
A onça-pintada é o maior felino do continente americano, podendo chegar a 135 kg. É um animal robusto, com grande força muscular, sendo a potência de sua mordida considerada a maior dentre os felinos de todo o mundo. Suas presas naturais são animais silvestres como catetos, capivaras, jacarés, queixadas, veados e tatus. Outra característica marcante dessa espécie é que ela não mia como a maioria dos felinos. Assim como o Leão, o Tigre e o Leopardo, ela emite uma série de roncos muito fortes que são chamados de esturro.


Características


Possui pelagem amarelo-dourado com pintas pretas na cabeça, pescoço e patas. Nos ombros, costas e flancos tem pintas formando rosetas que têm, no seu interior, um ou mais pontos.

O Leopardo (Panthera pardus), que ocorre na Ásia e África, também possui rosetas, porém sem pontos pretos no interior. Podem ocorrer indivíduos inteiramente negros, sendo esta apenas uma característica melânica da mesma espécie. Mesmo nesses indivíduos, as pintas podem ser visualizadas na luz oblíqua.


Distribuição

Originalmente a distribuição deste animal se dava desde o sudoeste dos Estados Unidos até o norte da Argentina. Atualmente ela está oficialmente extinta nos Estados Unidos, é muito rara no México, mas ainda pode ser encontrada na América Latina, incluindo o Brasil.

De maneira geral, porém, suas populações vêm diminuindo onde entram em confronto com atividades humanas. No Brasil ela já praticamente desapareceu da maior parte das regiões nordeste, sudeste e sul.

Ocorre em vários tipos de habitat, desde florestas como a Amazônica e a Mata Atlântica, até em ambientes abertos como o Pantanal e o Cerrado. São animais de hábitos solitários, tendo maior atividade ao entardecer e à noite.


Presas

Suas presas naturais consistem de animais silvestres como catetos, capivaras, queixadas, veados e tatus. No entanto quando o número destes animais diminui, geralmente por alterações ambientais provocadas pelo homem, as onças podem vir a se alimentar de animais domésticos e por esse motivo são perseguidas.


Ameaças

A destruição de habitats aliada à caça predatória devido principalmente ao alegado prejuízo econômico causado às criações de animais domésticos fazem com que as populações venham sendo severamente reduzidas.

É classificada pela IUCN (União Internacional para Conservação da Natureza) e pelo IBAMA como espécie vulnerável e está no apêndice I do CITES.


Fonte: Site do Instituto Pró-Carnívoros

Projeto alia proteção da espécie com atividade produtiva

O projeto Onça Pantaneira segue os princípios da instituição que é o de aliar a proteção ambiental com as atividades produtivas nas fazendas pantaneiras.
O objetivo do projeto,  desenvolvido pelo biólogo Fernando Azevedo do Instituto Pró-Carnívoros, com o apoio do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil, é usar o conhecimento científico para orientar os pecuaristas a usarem técnicas de manejo que reduzam o ataque de onças aos rebanhos, uma das principais causas de atrito.

Devido à predação do gado, a onça acaba sendo vista pelos fazendeiros como uma ameaça.

Minimizar esse conflito é um dos objetivos do projeto Onça Pantaneira, que busca entender melhor os diferentes fatores envolvidos na predação de animais domésticos e as possíveis formas de minimizar essas ocorrências.

Nos próximos anos, Fernando e sua equipe vão continuar estudando o comportamento das onças para saber os padrões de predação, hábitos alimentares entre outras informações sobre a espécie. As informações obtidas estão sendo repassadas aos proprietários das fazendas de gado.

Embora a pesquisa ainda esteja em andamento, o trabalho de conscientização já começou a ser feito.

No final do primeiro semestre de 2008 o WWF-Brasil e o Instituto Pró-Carnívoros organizaram um encontro com os pecuaristas no município de Miranda (MS) para levar informações sobre a onça e discutir com eles ações de conservação.

O evento foi muito positivo e envolveu ambientalistas, pesquisadores e o setor pecuário.

Com o término das atividades de captura, o projeto está intensificando as atividades de monitoramento das onças capturadas.

O desafio atual é conseguir localizar frequentemente todas as onças numa extensão aproximada de 40 mil hectares, extensão baseada na área total em que as onças foram capturadas.

Resultados

A equipe do projeto Onça Pantaneira comemorou uma conquista: a marca de 8 onças monitoradas pelo projeto, desde que o trabalho de campo começou no início de 2008.

Entre os animais encontrados e que agora estão sendo monitoradas pelo projeto Onça Pantaneira está um macho de aproximadamente sete anos de idade pesando 128 kg, batizado de Mirão.

No final do ano, veio outra boa notícia, duas fêmeas monitoradas tiveram dois filhotes cada uma, aumentando a população para 14 animais.


 / ©: A. Camboni / R. Isotti / Homo Ambiens
Biólogo Fernando Azevedo
© A. Camboni / R. Isotti / Homo Ambiens

Projeto Onça-Pantaneira

O que é?
O projeto Onça Pantaneira é uma parceria do Instituto Pró-Carnívoros e do Programa Pantanal para Sempre do WWF-Brasil voltado para a consercação da onça-pintada no Pantanal.

O objetivo é utilizar o conhecimento científico para encontrar alternativas de produção sustentável nas fazendas das regiões pantaneiras que levem em conta a preservação do animal.

O projeto conta com recursos da Fazenda Real (filial São Bento) e do Departamento de Agricultura, Natureza e Qualidade dos Alimentos, vinculado à Embaixada dos Países Baixos.


Objetivos
Espécie ameaçada de extinção e, ao mesmo tempo, emblemática das florestas brasileiras, a onça muitas vezes é considerada pelos fazendeiros uma ameaça, devido à predação do gado.

Diminuir esse conflito é um dos objetivos do projeto Onça-Pantaneira, que busca entender melhor os diferentes fatores envolvidos na predação de animais domésticos e as possíveis formas de minimizar essas ocorrências.

Os resultados da pesquisa serão usados para sensibilizar os pecuaristas a encontrar alternativas de convivência pacífica que permitam a sobrevivência da espécie e o desenvolvimento da pecuária, principal atividade econômica da região.

O trabalho de pesquisa
O trabalho é realizado pelo pesquisador Fernando Azevedo e equipe, do Instituto Pró-Carnívoros, organização não-governamental que desenvolve pesquisas sobre diferentes espécies de carnívoros em vários dos biomas brasileiros.

O trabalho de captura para estudo envolve a avaliação das condições físicas dos animais, coleta de sangue, pesagem e instalação de colares com rádios transmissores para o monitoramento dos hábitos das onças durante o período da pesquisa.

Fatos e Curiosidades

    • As onças-pintadas sao animais territorialistas, ocupando, na dependência do tipo de habitat, de 22 a mais de 150 km2, onde o território de um macho se sobrepõe aos de duas ou mais fêmeas.
    • Os machos e as fêmeas encontram-se apenas no período reprodutivo.
    • A gestação é de 93 a 105 dias, nascendo somente um ou dois filhotes.
    • A mãe cuida do filhote até que ele complete cerca de dois anos. Neste período o ensina a caçar e a sobreviver.
  •  / ©: WWF-Brasil / A.Camboni / R.Isotti - Homo Ambiens
    Manchas são impressões digitais

    Além da beleza estética, as manchas na pele das onças são uma espécie de impressão digital, única, que nunca se repete. Por isso, são utilizadas para a identificação dos felinos. Durante o trabalho de captura, os pesquisadores da Pró-Carnívoros fotografam a pelagem na lateral e também a parte da cabeça do animal. Desta forma, se uma onça for morta por um caçador e for retirado o colar transmissor, é possível identificá-la comparando as fotos com a pele do animal morto. As fotos são anexadas no material de pesquisa junto com os dados coletados.