Em jogo a conservação da Mata Atlântica



19 Maio 2011  | 
Tela de entrada do quiz Mata Atlântica em Jogo
Para jogar, visite http://mataatlantica.wwf.org.br/mataemjogo
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Para comemorar o Dia da Mata Atlântica (27/05), o WWF-Brasil disponibiliza em seu site um jogo educativo e bem humorado sobre o bioma, um dos recordistas em número de animais e plantas no planeta. “Mata Atlântica em Jogo” pretende despertar em cada brasileiro a curiosidade em conhecer, respeitar e preservar essa ecorregião e sua biodiversidade.

O aplicativo para internet traz uma série de perguntas e várias opções de respostas. Vídeos, sons, fotos e curiosidades sobre a Mata Atlântica trazem o máximo da sensação de diversidade e realidade encontradas na Mata Atlântica.O objetivo é fazer com que o internauta possa se divertir e aprender. A cada acesso, dez questões são  sorteadas aleatoriamente. O resultado revela o conhecimento do jogador, transformando a porcentagem de acertos em quantidade de mata preservada que existe no coração de cada um.

O jogo é voltado para jovens e adultos, mas pode ser também uma ótima oportunidade para pais e mães apresentarem a Mata Atlântica para as crianças.

Para jogar, acesse mataatlantica.wwf.org.br/mataemjogo

Ciclo de devastação

Em 1832, o naturalista Charles Darwin* ficou maravilhado ao vivenciar a exuberância da fauna e da flora de uma então quase intocada Mata Atlântica, se extendendo pelo litoral brasileiro e chegando até o Paraguai e a Argentina.

Observando paisagens que desapareceram ao longo do tempo, ele comentou que “É fácil especificar os objetos de admiração nesses cenários grandiosos, mas não é possível oferecer uma ideia adequada das emoções que sentimos, entre maravilhados, surpresos e com sublime devoção, capazes de elevar a mente”.

Mas, o que já foi a segunda maior floresta tropical do mundo, ocupando porções da Argentina, Paraguai e principalmente do Brasil, onde alcançava 17 estados e mais de 3.200 municípios, está hoje extremamente reduzida. Restando menos de 30% de sua vegetação original, a Mata Atlântica também enfrenta a alta fragmentação de seus remanescentes, sendo reconhecido como o mais degradado dos biomas brasileiros. Parcelas mais antigas e íntegras da floresta somam menos de 7%.

Todos os ciclos econômicos, do Pau-Brasil, da mineração de ouro e diamantes, da criação de gado, da cana-de-açúcar e café, a industrialização, a exportação de madeira e os mais recentes plantios de soja e fumo, de eucalipto e pinus, foram ao longo do tempo consumindo a Mata Atlântica. As cidades, hidrelétricas e outros grandes empreendimentos seguem avançando sobre que resta da floresta.

Todavia, se o atual Código Florestal tivesse sido plenamente cumprido, teríamos 30% da Mata Atlântica original, sem contar parques nacionais e outras unidades de conservação.

“O Brasil deve continuar perseguindo o cumprimento de metas nacionais de proteção do bioma. Temos o dever de avançar na manutenção e, principalmente, na recuperação da Mata Atlântica. A sociedade brasileira tem os meios para transformar a Mata Atlântica em um grande caso de sucesso”, afirma Denise Hamú, secretária-geral do WWF-Brasil.

Benefícios e conservação

Mesmo com toda essa devastação, as florestas que sobrevivem ainda ajudam a evitar a queda de encostas, proteger rios e lagos, regular o clima e a qualidade do ar e a oferecer água para oito em cada dez brasileiros, ou mais de 120 milhões de pessoas.    

Grandes capitais como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Curitiba (PR) e Belo Horizonte (MG) dependem completamente das águas que afloram no que resta do bioma e correm por rios como Paraná, Tietê, Doce, Paraíba do Sul, São Francisco, Paranapanema e Ribeira do Iguape, entre muitos outros.

A Mata Atlântica possui mais de 15 mil espécies de plantas, sendo 45% endêmicas do bioma. Tamanha riqueza representa 5% da flora mundial. O recorde de tipos diferentes de árvores na Amazônia peruana foi de 300 espécies por hectare. Na Mata Atlântica, foram registradas 443 espécies por hectare em Santa Tereza (ES) e 454 no Parque Estadual da Serra do Conduru (BA). Já de animais, o bioma abriga 8 mil espécies, sendo 35% endêmicas. São 848 espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e cerca de 350 de peixes.

Atualmente, a Mata Atlântica tem menos de 9% de sua área protegida, mas menos de 2,3% são de unidades de conservação de proteção integral. Na última década, ela ganhou 14 áreas protegidas, somando aproximadamente 400 mil hectares e inluindo o parque estadual de Bertioga, criado pelo governo do Estado de São Paulo em 2010, com apoio do WWF-Brasil. Há 627 reservas particulares na Mata Atlântica, perfazendo mais de 130 mil hectares.

* A citação de Darwin foi retirada de Entendendo Darwin – A viagem a Bordo do HMS Beagle pela América do Sul. Apresentação Marcelo Gleiser / Editora Planeta, São Paulo, 2009
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