Quadro Geral da COP9 da CDB

Bráulio Dias detalhou para os jornalistas os principais temas que serão debatidos durante a COP9.
© Madeleine Gonçalves / Lead
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e Dayana de Paula (Funbio)
A abertura do seminário contou com a apresentação do Diretor do Departamento de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente, Bráulio Dias, que detalhou aos jornalistas os temas centrais da COP9 da CDB, e sua relação com a política ambiental brasileira, com destaque para a revisão da implementação das metas globais previstas para 2010.
Dias ponderou que a conservação da diversidade biológica passa por grandes desafios políticos, como o acesso aos recursos biológicos, a falta de mercado para a comercialização de produtos sustentáveis e a concentração de tecnologia e conhecimentos científicos em países desenvolvidos, que não possuem grande diversidade biológica.
As disputas em torno desses temas entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento dificultam a implementação de ações de conservação em larga escala, no entanto, Dias afirma que “a Convenção sobre Diversidade Biológica veio para criar consensos e unir forças em torno da conservação”.
“A COP é uma reunião de Estados, mas a sociedade civil aproveita para levar propostas, divulgar idéias e, principalmente, ajudar a buscar soluções para a construção de um mundo mais sustentável”, explicou o Superintendente de Conservação de Programas Regionais do WWF-Brasil, Cláudio Maretti, na abertura do seminário.
Maretti destacou que a Convenção sobre Diversidade Biológica era, até pouco tempo, o principal acordo internacional na área de preservação do meio ambiente, mas agora divide a atenção com o Protocolo de Kyoto devido ao destaque dado recentemente ao tema das mudanças climáticas. Para ele, os dois temas não estão dissociados, já que possíveis alterações no clima vão impactar a biodiversidade, e, por outro lado, a conservação da diversidade biológica é essencial para reduzir os impactos das mudanças climáticas.
A busca por alternativas para a sustentabilidade também foi pontuada pelo Secretário-Geral do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio), Pedro Leitão, que destacou que a conservação da biodiversidade passa necessariamente pelo desenvolvimento de mecanismos financeiros.
O Global Environment Facility (GEF) é o principal mecanismo de financiamento internacional de projetos de conservação, mas, de acordo com Leitão, os recursos disponíveis são insuficientes: “desde que foi criado, em 1991, o GEF recebeu US$ 11 bilhões, mas estima-se que a demanda seja de US$ 60 bilhões anuais, somente para a conservação de áreas protegidas em todo o mundo”.
Como alternativas para o desafio financeiro, Pedro Leitão aponta o desenvolvimento de mecanismos de pagamento por serviços ambientais, reconhecimento formal dos fundos ambientais, como o Funbio, e maior participação do setor privado no financiamento de ações de conservação.

