Biodiversidade e Mudanças Climáticas
Manter a biodiversidade contribui para deter o aquecimento global

Segundo Scaramuzza, somente com um esforço conjunto global será possível impedir que as mudanças climáticas avancem mais.
© Madeleine Gonçalves / Lead
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Conservar a biodiversidade também é conservar o clima. As florestas são como uma máquina de absorção de calor e de reserva de carbono. De 15% a 20% da água liberada pelos rios de todo o mundo vêm do rio Amazonas. O desmatamento é o principal responsável pelo Brasil estar em quarto lugar mundial entre os maiores emissores de gases de efeito estufa, os causadores do aquecimento do planeta.
Mas não é por isso que os países industrializados não devem reduzir drasticamente suas emissões. “Somente com um esforço conjunto global será possível impedir que as mudanças climáticas avancem mais”, enfatiza Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, superintendente de Conservação de Programas Temáticos do WWF-Brasil.
O assunto foi abordado num dos debates com 30 jornalistas convidados pelo WWF-Brasil e Funbio para atualização visando a cobertura da 9ª Conferência da Diversidade Biológica (CDB), que acontece em Bonn, na Alemanha, de 19 a 30 de maio deste ano. Segundo José Marengo, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Especiais (INPE), os principais causadores do aquecimento global no Brasil são o desmatamento, fogo e a agricultura.
“Há um falso dilema quando se trata a conservação do meio ambiente como sinônimo de preservação intocável e se identifica o desenvolvimento com a produção destrutiva”, afirma Marengo, que tem mais de 25 anos de experiência em estudos sobre clima e Amazônia.
A pesquisadora do IPAM Laura Dietzsch falou sobre o novo estudo feito em parceria com o WWF-Brasil, o instituto Woodhole Center e a Universidade Federal de Minas Gerais sobre a redução de emissões de carbono das áreas protegidas apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).
De acordo com o estudo, o Arpa tem sido muito efetivo no combate ao desmatamento, pois se as unidades de conservação apoiadas pelo programa previstas para serem criadas até o final de 2008 realmente saírem do papel, vão reduzir as emissões brasileiras em 4,9 bilhões de toneladas de carbono de 2002 até 2050. “É preciso valorizar programas como este, pois são importantes para a conservação da floresta amazônica e, conseqüentemente, para o clima do planeta”, conclui a pesquisadora.

