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Biodiversidade Florestal


Manejo florestal é instrumento para conservação e inclusão social

Rita Mesquita e Manoel Cunha discutiram com os jornalistas o tema Biodiversidade Florestal.
Rita Mesquita e Manoel Cunha discutiram com os jornalistas o tema Biodiversidade Florestal.
© Madeleine Gonçalves / Lead
Por Bruno Taitson (WWF-Brasil) e
Dayana de Paula(Funbio)


A conservação da Biodiversidade Florestal precisa ir além de evitar os desmatamentos, e pode ser muito rentável se atividades manejadas forem exercidas pelas comunidades que vivem em áreas florestais. Soluções para conciliar a manutenção da floresta em pé e ampliar o mercado de produtos florestais não madeireiros serão temas levados à debate na 9ª Conferência das Partes (COP9) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

As alternativas de desenvolvimento sustentável que possam contribuir para a conservação da floresta e, simultaneamente, aumentar a renda das populações locais foram principais pontos debatidos na palestra Biodiversidade Florestal no Seminário de Atualização para Jornalistas sobre 9ª Conferência das Partes (COP9) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), promovido pelo WWF Brasil e pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio). Participaram da mesa a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Rita Mesquita, o presidente do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), Manoel Cunha, e o coordenador do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável (Pads) do WWF-Brasil, Mauro Armelin.

Rita Mesquita ressaltou que as estratégias voltadas para a promoção da conservação na Amazônia devem ter consistente embasamento científico, e destacou que investimentos em pesquisa têm quebrado alguns paradigmas relativos à região. “É fundamental entendermos como a biodiversidade é distribuída, e que biodiversidade é essa. Nesse sentido, os principais desafios que enfrentamos hoje são ligados à difusão científica e à formação de recursos humanos especializados”, opinou a pesquisadora.

Mauro Armelin relatou diversas iniciativas voltadas para o manejo florestal e pesqueiro que já remuneram comunidades tradicionais na Amazônia. Ele lembrou que, em projetos apoiados pelo WWF-Brasil, cooperativas e comunidades extrativistas já conseguem uma valorização superior a 300% na renda advinda de produtos como castanha-do-Brasil e óleo de copaíba. “No caso da pesca, a produtividade dos lagos manejados aumentou em até 60%. Os benefícios acontecem não só no campo da conservação, mas também proporcionam inclusão social e segurança alimentar”, enfatizou.

Armelin ressaltou que a perda de rentabilidade das comunidades que pode vir a reboque do fim de atividades predatórias, como o desmatamento, o extrativismo não manejado e a caça, pode ser contornada com ações focadas em extrativismo sustentado. O sucesso destes mercados, no entanto, depende de várias medidas, onde muitas estão nas decisões da esfera política, como as certificações. Produtos da floresta podem ser enquadrados em diferentes tipos de certificados, como Mercado Justo, Produto Orgânico e FSC, mas para que sejam enquadrados nestas categorias, devem ser reconhecidos por serem produzidos por comunidades, garantir valor à floresta e serem manejados.

Manoel Cunha, que estará na COP9, destacou a importância de se valorizar a biodiversidade, remunerando comunidades tradicionais por serviços ambientais prestados ao planeta. Essa remuneração, em sua opinião, poderia ser feita com a capacitação das comunidades. “Ninguém consegue conservar a floresta com o filho pendurado na saia da mãe chorando de fome. Numa situação como esta, o meio ambiente é café pequeno, o mais importante é calar o choro do filho. Para isso, a pessoa mata o animal em extinção e derruba a árvore rara”, afirmou.

O presidente do CNS – organização cujo nome foi alterado para Conselho Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras Extrativistas – citou casos de produtos que incrementam a renda de famílias que vivem na floresta. “O óleo de andiroba dá um lucro muito grande a comunidades do Médio Juruá. O murumuru, que só servia para espinhar o pé, tem hoje sua manteiga vendida por R$ 22 o quilo. Quantos murumurus existirão escondidos na floresta?”

Integrante das comunidades locais, Cunha avaliou ainda que o processo de valorização da floresta passa pelo apoio científico e o acesso das comunidades à tecnologia. “Precisamos sair do ponto focal para o transversal no acesso a tecnologia na Amazônia”, defendeu. Para ele as comunidades locais são as melhores protetoras da floresta, e as atividades predatórias são reflexo da necessidade financeira somada à ausência do incentivo à atividades manejadas e a falta de conhecimento.

Os participantes da mesa-redonda destacaram, para uma platéia composta em sua maioria por jornalistas, a importância da imprensa para educar a população a respeito de temas ligados à conservação e ao desenvolvimento sustentável, normalmente pouco conhecidos pelo grande público. “Os jornalistas têm o papel de ajudar a construir na sociedade um entendimento mais claro sobre biodiversidade, gestão de áreas protegidas e outros assuntos”, salientou Rita Mesquita.







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