Exposição mostra as belezas do Cerrado | WWF Brasil

Exposição mostra as belezas do Cerrado



11 Setembro 2017   |  
Enquanto mais de 100 milhões de hectares da cobertura vegetal do Cerrado (o mesmo que toda a área da Europa ocidental) já foram perdidos para o agronegócio, os povos do Cerrado coletam espécies nativas para se alimentar, e comercializar, complementando sua renda com a prática do extrativismo sustentável
© André Dib/WWF-Brasil
O lançamento da exposição “Cenários e Riquezas do Cerrado de Guimarães Rosa”, organizado pelo WWF-Brasil e o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, acontecerá no auditório da Livraria Cultura do CasaPark, no dia 11 de setembro, às 11h, com a presença do Ministério do Meio Ambiente, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), lideranças agroextrativistas e representantes de organizações ambientais.

Fazem parte da programação, ainda, um debate sobre as riquezas socioambientais e a crescente devastação desse rico bioma, a apresentação da campanha de reconhecimento do Parque Nacional Cavernas do Peruaçu como Patrimônio Mundial da Humanidade, a exibição de um vídeo com foco no extrativismo sustentável do Cerrado e a apresentação do Projeto “Como Pode um Peixe Vivo” do Instituto Brasília Ambiental (IBRAM-DF). Para encerrar as atividades comemorativas à data, um brunch com salada de guariroba, arroz com pequi, risoto de baru, entre outros pratos e petiscos à base de produtos típicos do Cerrado.

A exibição tem 15 fotos que mostram a flora, a fauna e as peculiaridades do Cerrado numa forma de apresentar ao visitante a riqueza do bioma e chamar atenção para necessidade de um modelo de produção mais sustentável, que promova o desenvolvimento com maior inclusão social e distribuição de renda, ao mesmo tempo que conserve o meio ambiente.

O Cerrado ocupa ¼ do país, abriga 5% de todas espécies no mundo e 30% da biodiversidade nacional. Entretanto, já perdeu mais da metade de sua cobertura vegetal e o processo de devastação continua acelerado. Entre 2013 e 2015, o bioma perdeu 18.962,45 km2 de área, ou seja, mais de três vezes o tamanho do Distrito Federal devastado em um período de dois anos, segundo os dados recém disponibilizados pelo Ministério do Meio Ambiente. O que significa também que dos biomas brasileiros, o Cerrado é o que registra o maior ritmo de desmatamento, sendo duas vezes maior que o na Amazônia.

Para o coordenador do Programa Cerrado Pantanal do WWF-Brasil, Julio César Sampaio, apesar de não ter muito a comemorar pelo seu dia, é necessário “ter esperanças e trabalhar em conjunto envolvendo todos os setores - governamental, o privado, os povos tradicionais, as organizações ambientais e o setor acadêmico - para tentar salvar o Cerrado e a humanidade de um futuro de escassez. O Cerrado pede socorro, já que os reflexos estão aparecendo com muitos impactos, como no caso do racionamento de água em Brasília, atingindo quase 4 milhões de pessoas”.

Após seu lançamento no CasaPark, a exposição segue para o Centro de Convenções Ulisses Guimarães, onde será exibida aos mais de 5 mil participantes do Congresso Brasileiro e Latinoamericano de Agroecologia, até o dia 15 de setembro. O destino próximo é o Centro de Excelência Cerratenses, no Jardim Botânico, ficando aberta para visitação do público até 15 de outubro.

WWF-Brasil no Cerrado

Desde 2010, o WWF-Brasil, por meio do Programa Cerrado Pantanal, implementa ações no bioma Cerrado com foco no Mosaico de Unidades de Conservação Sertão Veredas Peruaçu (MSVP), apoiando ações de conservação do meio ambiente e de espécies ameaçadas, e gerando agregação de renda para as populações locais. Três cooperativas agroextrativistas foram criadas e fortalecidas, o que tem resultado na produção de quase 60 toneladas anuais de produtos agroextrativistas, beneficiamento de mais de 200 famílias. Também executa ações com grandes produtores, como no caso da primeira fazenda da região a ser certificada pelo Programa Nacional de Boas Práticas Agropecuárias (BPA) da Embrapa, além de contribuir para o cadastramento de 10 mil propriedades no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Outro destaque é o trabalho pelo fortalecimento da gestão e implementação das Unidades de Conservação, ressaltando  a avaliação da efetividade de gestão de mais de 80 Unidades de Conservação de Minas Gerais e Goiás, por meio da metodologia RAPPAM (Rapid Assessment and Prioritization of Protected Area Management), bem como a melhoria na gestão das UCs do Mosaico, realizando capacitações dos gestores, disponibilizando ferramentas Sistema de Informações Geográficas (SIG) para o monitoramento da região, e o apoio ao funcionamento dos Conselhos Consultivos do Parque Nacional Grande Sertão Veredas e do Mosaico Sertão Veredas Peruaçu. Em parceria com uma organização local realizou-se o monitoramento da fauna no MSVP, que registrou 34 espécies sendo 6 ameaçadas de extinção, como o cachorro-vinagre, que era dado como extinto em Minas Gerais há mais 170 anos.    
Enquanto mais de 100 milhões de hectares da cobertura vegetal do Cerrado (o mesmo que toda a área da Europa ocidental) já foram perdidos para o agronegócio, os povos do Cerrado coletam espécies nativas para se alimentar, e comercializar, complementando sua renda com a prática do extrativismo sustentável
© André Dib/WWF-Brasil Enlarge

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