Aumenta a pressão contra o desmatamento | WWF Brasil

Aumenta a pressão contra o desmatamento



17 Março 2017   |  
Indígenas pedem apoio ao MMA contra o desmatamento no Xingu
© Foto: Divulgação/ MMA
por  Jaime Gesisky

O governo federal se reuniu esta semana em Brasília em busca de saídas para conter o aumento do desmate na Amazônia Legal e no Cerrado. Recentes dados produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) acenderam o alerta. Enquanto o governo tenta se mexer por um lado, líderes indígenas do Xingu foram à capital denunciar a destruição da floresta.

Em um encontro realizado na quinta-feira (16) no Ministério do Meio Ambiente representantes de 23 órgão em entidades federais, além de emissários do Fórum dos Secretários de Meio Ambiente dos estados da Amazônia Legal discutiram as novas fases dos Planos de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), que está na sua 4ª fase, e do Cerrado (PPCerrado), na 3ª fase.

O desmatamento não só cresceu significativamente na Amazônia – quase 30% em 2016 em relação ao ano anterior – como também segue uma trajetória destrutiva e veloz sobre as áreas nativas do Cerrado, que já perdeu mais da metade da sua cobertura vegetal.

O governo não tem braços para fiscalizar tudo e sabe que políticas de comando e controle sozinhas não conseguem conter o tamanho do estrago.

Segundo a diretora de Políticas em Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Thelma Krug, a criação de áreas protegidas é, sem dúvida, uma das medidas mais importantes para conter o avanço do desmatamento.

“No entanto essas áreas têm de ser definidas a partir de uma abordagem territorial, que considere interesses da agropecuária, biodiversidade, manejo florestal e da contenção do desmatamento, entre outros”, destacou a especialista.

De prático, o encontro resultou na criação de três câmaras técnicas para priorizar as ações do comitê de combate ao desmatamento. A primeira destinada à expansão de áreas protegidas no Cerrado e na Amazônia. A segunda, voltada ao manejo e controle florestal; e a terceira, para a fiscalização. 

A Comissão Executiva Unificada foi criada para garantir a continuidade dos novos planos de ação da Amazônia e do Cerrado (PPCDAm e PPCerrado), atualizados em 2016. A instância é responsável por monitorar, acompanhar e propor medidas para superar eventuais dificuldades na implantação dos planos.

Mundo real

Mas no cotidiano, os fatos não se dobram apenas às boas intenções. E nem sempre o diálogo vem de forma favorável ao controle do desmatamento.

No dia 9 de Março, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e representantes de empresas de mineração do sul do Amazonas estiveram no Ministério do Meio Ambiente para pressionar o governo para alterar os limites de cinco unidades de conservação (UCs) federais na região.

A redução das UCs deve virar projeto de lei e começar a tramitar ainda este mês.

Estão na mira a extinção da Área de Proteção Ambiental de Campos de Manicoré e cortes nos limites do Parque Nacional de Acari, da Reserva Biológica de Manicoré e das Florestas Nacionais de Urupadi e Aripuanã.
 
O novo desenho levaria a uma perda de cerca de um milhão de hectares em áreas protegidas e deixaria o território mais vulnerável a crimes ambientais como desmatamento e grilagem de terras pública. Comprometeria ainda os acordos internacionais do Brasil sobre o clima e a biodiversidade.

Tempo quente

E por falar em clima, estudos científicos têm apontado uma tendência de aumento da temperatura média na região do Xingu, no Norte do Mato Grosso. Desmatamento e queimadas são a causa da elevação da temperatura.

Segundo o Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia  (Ipam)  já está ocorrendo uma mudança climática na região, monitorada de perto pelos cientistas. Eles alertam quem além de estar mais quente, o Xingu também começa a apresentar alterações no seu regime hidrológico, que impacta diretamente os povos indígenas que habitam a região.

Assustados com tanta mudança e ameaças diretas sobre o meio ambiente e o modo como vivem, cerca de 20 lideranças indígenas, entre as quais quatro anciões do Alto e Médio Xingu, vieram esta semana a Brasília para denunciar o desmatamento e a contaminação das aldeias pelo agrotóxico com o avanço do agronegócio na região.

Na quarta-feira (15) os caciques pediram apoio ao Ministério do Meio Ambiente (foto), e relataram que o desmatamento já chegou nos limites do parque indígena do Xingu.

Segundo as lideranças, suas terras estão sendo invadidas por fazendeiros e os rios contaminados pelo plantio da soja e atividades mineradoras.

O périplo dos indígenas alcançou também os ministérios da Educação e Esporte, além do Hospital da Universidade de Brasília. Eles foram também à Procuradoria Geral da União, Ministério da Cultura e Secretaria de Saúde e conversaram com representantes das embaixadas da Noruega, França, Canadá, Alemanha e Holanda.

Nessas audiências, também denunciaram a possível aprovação da PEC 215, que transfere do governo federal para o Congresso a última palavra sobre a oficialização das Terras Indígenas. (Com informácões do MMA e Clarissa Presotti).
 
 
Indígenas pedem apoio ao MMA contra o desmatamento no Xingu
© Foto: Divulgação/ MMA Enlarge

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