Untitled Document

site

Biodiversidade está na pauta da Câmara dos Deputados

14 Julho 2010 Bookmark and Share

Cláudio Maretti (WWF -Brasil), Fabio Scarano (Conservation International), Braulio Ferreira de Souza Dias (MMA), Dep. Sarney Filho (PV/MA), Davi Conway Oren (MCT), Elisa Romano Dezolt (CNI) e Anita Diederichsen (The Nature Conservancy).

Abertura do Seminário da Comissão de Meio Ambiente - "Ano Internacional da Biodiversidade - Quais os Desafios para o Brasil". Cláudio Maretti (WWF -Brasil), Fabio Scarano (Conservation International), Braulio Ferreira de Souza Dias (MMA), Dep. Sarney Filho (PV/MA), Davi Conway Oren (MCT), Elisa Romano Dezolt (CNI) e Anita Diederichsen (The Nature Conservancy).

Ligia Paes de Barros, de Brasília
 
Pouco mais de um mês após a audiência pública na Câmara dos Deputados que debateu a posição que o Brasil irá levar à 10ª Conferência das Partes (COP) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a casa promove um seminário sobre os desafios do Brasil relacionados à conservação da biodiversidade. Dessa vez, o encontro conta com a participação de organizações não governamentais e também do setor privado. 
 
“O tema é de extrema importância”, ressaltou o deputado Sarney Filho, durante a abertura do seminário, promovido nos dias 13 e  14 de julho.
 
O Brasil, embora tenha bons exemplos de avanços na proteção da biodiversidade do país, não cumpriu suas metas de conservação estabelecidas para 2010 pela CDB. A redução do desmatamento na Amazônia e a criação de áreas protegidas também neste bioma foi significativa, mas não suficiente. O país não alcançou os comprometidos 30% de unidades de conservação na Amazônia, os 10% de unidades de conservação nos demais biomas e o desmatamento zero da Mata Atlântica. 
 
Os outros 190 países que fazem parte dessa convenção da Organização das Nações Unidas também não conseguiram cumprir o compromisso e, em outubro, na COP-10 em Nagoya, terão que definir o que será feito nos próximos 10 anos, e de fato começar a fazer. 
 
Quem cobra é a própria biodiversidade: estudos apontam que o mundo está próximo de um ponto em que os ecossistemas estarão fragilizados de tal maneira que não conseguirão mais se recuperar.  
 
Seminário
O seminário “Ano Internacional da Biodiversidade: os desafios para o Brasil” é uma iniciativa da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. 
 
Com dois dias de duração, o evento é dividido em 11 painéis de temas relacionados à biodiversidade, entre eles a proteção de ecossistemas marinhos, espécies invasoras e o impacto de projetos de infraestrutura.   
 
O tema do primeiro painel foi “O que o Brasil vai levar à COP-10/CDB?”.  Participaram da mesa o diretor de conservação da biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente (MMA) Braulio Dias; David Oren, representando o Ministério de Ciência e Tecnologia; Anita Diederichsen, cientista da organização The Nature Conservancy (TNC); Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil, Fábio Scarano, diretor-executivo da Conservation Internacional (CI) e Elisa Dezolt, analista de política da Confederação Nacional da Indústria (CNI). 
 
Alguns pontos foram comuns na fala dos participantes sobre o que o Brasil, e o mundo, precisam avançar na COP da CDB: a definição de metas ambiciosas no novo plano estratégico para 2020, o reconhecimento do valor econômico da biodiversidade e a sua relação com as mudanças climáticas e a urgência da assinatura do protocolo de acesso e repartição de benefícios de recursos genéticos. Ainda a criação de plataforma científica no âmbito da Convenção para estudo da biodiversidade foi destacada pelos participantes.  
 
Para Cláudio Maretti, “o Brasil, como o primeiro país do mundo em termos de riqueza da biodiversidade, deve assumir um papel de liderança nas discussões sobre o tema. O país tem potencial para ser líder da economia verde, na COP da CDB, na inclusão do valor da biodiversidade nas contas nacionais e ainda ficar à frente do processo de criação da plataforma de estudos da biodiversidade. Precisamos agora agir”. 
 
 
TEEB
O estudo TEEB  (sigla em inglês para A Economia dos Ecossistemas e Biodiversidade) consiste em uma série de relatórios sobre o valor econômico da biodiversidade, destinada a diferentes públicos, tais como ambientalistas, economistas, governos, empresas e cidadãos. 
 
O objetivo do estudo é avaliar os custos da perda de biodiversidade no mundo e conscientizar os diversos setores da sociedade sobre a importância da conservação, inclusive, para a economia global. 
 
“Este estudo está mostrando que a biodiversidade é fundamental para a manutenção de toda a economia, tanto do próprio agronegócio, como da indústria e outras atividades urbanas. O Brasil precisa avançar mais nessa discussão que ainda está superficial no país”, ressaltou Cláudio Maretti.
 
O valor econômico da biodiversidade fica ainda mais evidente quando o assunto são as chamadas catástrofes naturais. “A biodiversidade tem um papel fundamental não só na prevenção, mas principalmente na adaptação às mudanças climáticas. Um exemplo disso é que a proteção das áreas de proteção permanentes (APPs) ao longo dos rios diminui o risco e as graves consequências das enchentes. Mas não lembraram do valor disso na discussão de revisão do código florestal brasileiro”, aponta Maretti. 
 
Para Braulio Dias, “líderes e empresários não conseguem associar causa e efeito no momento em que ocorrem as catástrofes. Acham que são fatalidades e não associam ao mau uso. É preciso fazer essa relação e o TEEB ajuda a mostrar qual é o custo da prevenção, pela conservação, e o custo da remediação”. 
 
Plano Estratégico 
O Plano Estratégico foi criado pelos países signatários da CDB em 2002 para guiar a implementação dos objetivos da Convenção em relação à redução da perda de biodiversidade em âmbitos nacional, regional e global.  Algumas metas definidas no plano vencem em 2010 e um novo plano para o período de 2011 a 2020 será debatido na COP-10/CDB.
 
Para o WWF-Brasil as metas desse novo Plano Estratégico devem ser ambiciosas. A organização defende que no Brasil sejam parte do compromisso, entre outros: o monitoramento do desmatamento em todos os biomas; a redução a zero da taxa de desmatamento até 2015 e da taxa de perda de biodiversidade até 2020 e a gestão de 20% de áreas protegidas em sistemas eficazes em todas ecorregiões.  
 
“Não dá mais para postergar a ação. Diversos ecossistemas estão próximos de um ponto de colapso, em que não poderemos fazer mais nada”, afirmou Maretti no seminário. 
 
 
ABS
ABS  (sigla em inglês, para access and benefit sharing) é um dos objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica que visa garantir o acesso democrático aos recursos genéticos e a repartição de seus benefícios de forma justa e igualitária. 
 
Este é o objetivo, entre os três da CDB, cujas discussões menos avançaram e, portanto, há uma grande expectativa para que ele seja amplamente debatido durante a COP no Japão. Espera-se a assinatura do protocolo que regulamenta o tema. 
 
Para o governo brasileiro o tema é prioritário e o mesmo assumiu uma postura firme na última reunião do Órgão Subsidiário de Aconselhamento Científico, Técnico e Tecnológico da CDB (SBSTTA, em inglês) para conseguir avanços nesse sentido: condicionou a aprovação das metas do plano estratégico à aprovação do protocolo de ABS. 
 
 “A delegação brasileira explicitamente colocou em colchetes a aprovação do plano estratégico que está sujeito a aprovação do protocolo de ABS e regime de aporte de recursos financeiros. Existe grande exigência para conservação, mas países europeus não querem arcar com custos para ajudar países em desenvolvimento a conservar. Este será uma dos grandes embates na COP -10”, apontou Braulio Dias, do MMA. 
 
IpBes 
Os participantes do seminário também ressaltaram a necessidade da criação da Plataforma Científica Intergovernamental para Biodiversidade e Serviços Ecológicos (ipBes). 
 
Esta plataforma trabalharia como um grupo de estudos sobre biodiversidade para apoiar a CDB, tal como faz o conhecido Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC). O tema será debatido na próxima Assembléia Geral das Nações Unidas que acontece em setembro nos estados Unidos. 
 

Comentários

sabrina

August 27, 2010 - 20:07

Muito legal

sabrina

August 27, 2010 - 20:04

muito legal

sabrina

August 27, 2010 - 20:03

Muito legal

MARGARIDA MARIA VAZ

August 2, 2010 - 01:26

COMO PROFESSORA DE ESCOLA PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO, EM MINHAS AULAS DE ARTES, FIZ UM PROJETO COM OS ALUNOS DE 8ª Se, PARA PARTICIPAR DO ANO INTERNACIONAL DA BIODIVERSIDADE BIOLÓGIA, PORQUE É NA SALA DE AULA ONDE TUDO TEM INÍCIO, IMPACTEI OS ALUNOS COM ESSE TRABALHO, CUJO TEMA FOI: BIODIVERSIDADE NA ARTE, UTILIZEI 52 FOTOS DA TERRA, FEITAS POR SATÉLITES, LIBERADAS PELA NASA.REFLETIMOS MUITO, SOBRE A QUESTÃO DE CUIDAR DO PLANETA, DO NOSSO LAR. AGORA DESEJO MOSTRAR O QUE OS ESTUDANTES APRESENTARAM. DESEJO QUE OS BRASILEIROS QUE PARTICIPAREM DA COP10/CDB EN NAGOIA NO JAPÃO, SEJAM ILUMINADOS, E APRESENTEM PLANOS, SUJESTÕES ETC, QUE CONTRIBUA PARA O BEM DO NOSSO PLANETA TERRA.

 

 

 

Comente

captcha

reload